RIO

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Plenário da Alerj cassa mandato de Álvaro Lins

Júlia Moura e Marcello Victor, JB Online

RIO - Por 36 votos a 24, a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) cassou na noite desta terça-feira, o mandato do deputado Álvaro Lins (PMDB). Ele perde a imunidade parlamentar pelo exato número de votos exigidos - 50% mais um. Com isso, o ex-chefe de Polícia Civil do Rio responderá pelos processos de corrupção passiva, formação de quadrilha e enriquecimento ilícito como um cidadão comum.

Dos 70 deputados, sete não compareceram, 24 votaram pela não cassação e três se abstiveram. A votação foi secreta. O clima foi tenso durante todo o processo de votação. Deputados a favor da cassação fizeram discursos inflamados antes do pleito.

- Sabia que ia ser apertado. A democracia ganha com essa decisão. Mesmo com o voto secreto o parlamento sai fortalecido. Voto sim é justiça – disse o deputado Marcelo Freixo (Psol), que minutos antes havia dito que o que estava sedo julgado na Casa era o poder Legislativo. “Todos serão cobrados hoje pelo o que está sendo julgado”.

Álvaro Lins foi vaiado ao entrar no plenário da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), por volta das 16h30. Correligionários favoráveis ao ex-chefe de Polícia Civil responderam estendendo faixas de apoio com dizeres como "Álvaro, Belford Roxo está a seu lado". O deputado se defendeu na tribuna do plenário, em discurso de mais de 30 minutos.

- Não vai ser um deputado jogado aos leões que esses porcos e cães vão se saciar. Eles não vão parar – disse Álvaro Lins fazendo referência ao livro “Revolução dos Bichos”, do autor inglês George Orwell. Lins se defendeu dizendo que o plenário estava julgando apressadamente o seu caso: - Eu não subi nessa tribuna para me defender porque condenado eu já fui - disse Lins momentos antes da votação secreta.

Álvaro Lins será substituído por seu suplente Renato de Jesus (PMDB). A deputada Cidinha Campos (PDT) comemorou a cassação de Lins e disse que a Alerj estava “colocando na rua o deputado e que a Casa deveria responder por outros”, fazendo referência ao deputado Natalino Guimarães, preso no mês passado em flagrante por envolvimento com milícias da Zona Oeste.

- A Casa tem salvação. É preciso que a Alerj reaja a altura dos acontecimentos. Roubou, cassou – comemorou a deputada.

Mais cedo, cerca de 30 pessoas foram barradas por seguranças na entrada do plenário da Alerj. Dentre elas estavam o delegado Alexandre Neto, desafeto do parlamentar e vítima de um atentado no ano passado, e a vereadora Ingrid Gerolich (PT), que denunciou recentemente que apenas quatro candidatos ao cargo teriam permissão de traficantes da Favela da Rocinha para panfletar na comunidade.

O delegado Alexandre Neto exibia um cartaz com o dizer "Sou o bobo da corte mas não fui cardeal". Após um início de tumulto e muita discussão, o grupo foi liberado para entrar no plenário, onde as galerias estavam lotadas.

Ex-chefe de Polícia Civil nos governos de Anthony Garotinho e Rosinha Matheus, Álvaro Lins é suspeito de integrar esquemas de corrupção passiva, formação de quadrilha e enriquecimento ilícito, e de participar da chamada Máfia dos Caça-Níqueis. Ele chegou a ser preso durante a Operação Segurança Pública S/A, da Polícia Federal, mas acabou soltou por decisão da Alerj.

Na ocasião, o ex-governador Anthony Garotinho foi acusado de ser o mentor político do grupo e acusado de formação de quadrilha armada.

Álvaro Lins é o terceiro deputado cassado somente este ano pela Alerj. Em abril Jane Cozzolino (PTC) e Renata do Posto (PTB) perderam os mandatos sob acusação de envolvimento no escândalo do bolsa-fraude.

[19:20] - 12/08/2008