Nelson Gobbi, Jornal do Brasil
RIO - Encarnação do demônio, o longa que trouxe José Mojica Marins de volta após 20 anos, é o mais bem-sucedido encontro de gerações do cinema brasileiro dos últimos anos. De um lado, Zé do Caixão pôde encerrar a trilogia iniciada em 1963 (com À meia-noite levarei sua alma) com o máximo de fidelidade ao personagem. De outro, o produtor Paulo Sacramento e o assistente de direção Dennison Ramalho garantiram o ritmo e a visceralidade do horror contemporâneo.
Encarnação torna-se, dessa forma, um compêndio de terror, que vai desde o gore dos anos 60 ao torture porn atual, com citações até ao ciclo canibal italiano setentista. Mojica concebeu um epílogo sem qualquer pudor de criar um filme de gênero, algo raro em nosso cinema eternamete sócio-político-existencialista.
Pela violência com que desafia o espectador, pode ficar mais restrito aos fãs - uma lástima, no caso dessa verdaeira aula de como se fazer um filme (realmente) popular).
[15:28] - 08/08/2008