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Acusado de matar inglesa diz que não lembra de quase nada

Portal Terra

GOIÂNIA - Acusado pela morte da inglesa Cara Marie Burke, 17 anos, o goiano Mohammed D'Ali Carvalho dos Santos, 20 anos, disse em entrevista coletiva nesta manhã, na Delegacia de Homicídios, que não se lembra de quase nada do que aconteceu entre os dias 26 de julho, quando a jovem foi morta, no Setor Leste Universitário, e 31 de julho, quando foi preso pela polícia em Jardim Novo Mundo. O motivo da falha na memória seria o mesmo que o teria levado a matar a inglesa: o uso excessivo de drogas.

Segundo Mohammed, na ocasião do crime, ele usava cocaína há quatro dias, crack há dois dias e estava sob efeito de álcool. - Eu estava muito doido nestes dias. Não lembro nada. Só parei de usar drogas aqui na cadeia - comentou.

O conteúdo da entrevista vai de acordo com o que a defesa de Mohammed disse à imprensa. O advogado Cláudio Trajano Sousa afirmou que seu cliente tem surtos quando está sob efeito de entorpecentes, que ele é usuário de drogas pesadas e estava nervoso com as supostas ameaças de Cara Burke, que, segundo Mohammed, falava que o denunciaria para a mãe e à polícia por ser usuário de drogas.

Contudo, as afirmações contradizem os primeiros depoimentos de Mohammed à polícia e à imprensa, no dia 31, quando foi preso. Na época da prisão, chegou a afirmar que se pudesse voltar no dia do assassinato teria pagado alguém para matar Cara e não cometeria o crime.

Mohammed afirmou que era o assassino de Cara Marie e que esquartejou o corpo dela para facilitar o transporte em sacos e na mala. - Todo mundo que estivesse no meu lugar teria cortado o corpo. Não cabia na mala - disse. O goiano não deu mais detalhes sobre o dia do crime, nem sobre o que teria feito posteriormente. - Eu não lembro. Estava doido. Lembro de ter 'festado' muito (no fim de semana em que houve o crime). Lembro dela ter me ligado (para marcar o encontro na casa dele para o sábado) - disse.

O acusado disse que conheceu Cara Marie numa festa na casa de um amigo na Inglaterra, onde mora a mãe e o irmão dele e a família da inglesa. Mohammed nega, entretanto, que tenha namorado com a vítima e nega também que ela tenha vindo para o Brasil para se casar com ele e assim facilitar o visto dele na Inglaterra. Ele negou que Cara tivesse algum envolvimento com tráfico de drogas. Disse que ela fazia pouco uso de entorpecentes: 'só quando estava muito grilada com alguma coisa'.

Boa parte do depoimento entra em contradição com as provas colhidas pela polícia contra Mohammed. Mensagens no celular do acusado descobertas pela polícia civil indicam que havia sim um acordo entre acusado e vítima para que houvesse um casamento. Cara Marie mandou um SMS para Mohammed na noite anterior ao crime onde perguntava o que ele queria com ela ao chamá-la para ir a seu apartamento já que "o casamento não ocorreria". Ela disse na mesma mensagem que ainda não falou sobre o cancelamento do acordo e que estava muito chateada com ele por não ter ido visitá-la dias antes no hospital após um acidente onde quebrou o pulso.

Mohammed não quis falar sobre o conteúdo das outras mensagens, onde planejava com amigos e o irmão uma fuga de Goiânia, e comentava com os mesmos sobre o crime. Justificou-se ao dizer que não comentaria sobre os amigos: 'estou aqui para falar de mim e não dos outros' e porque também não se lembra das mensagens.

Na coletiva, Mohammed falou sobre a amiga dele que, em depoimento à polícia na segunda-feira, disse que ele foi numa festa na casa dela na noite em que ele matou Cara e que ele mostrou aos amigos uma foto da inglesa já morta. A amiga também disse que ele estava bastante tranqüilo e falava em tom de brincadeira sobre o crime. - Fiz o que fiz e fui para a festa. Eu estava muito doido. Ela não é minha amiga. Veio aqui atrapalhar meu lado. É uma viciada, vende droga na frente do filho. A mãe dela nem sabe disso - acusou.

No restante da entrevista, Mohammed disse estar arrependido do crime, que pensou em pular da varanda do apartamento quando viu Cara morta, mas depois achou melhor apenas dispensar o corpo. - Tenho certeza de que minha mãe prefere um filho na cadeia a um filho morto - acrescentou. Ele também disse estar arrependido, apesar de, nas mensagens do celular apreendidas pela polícia, tratar do crime de forma bastante irônica. - Eu causei muito sofrimento para a minha mãe, para a mãe dela, mas é a droga. Minha mãe só chorou quando a gente se falou (no telefone). É muita dor. Eu sei que estraguei a vida de todo mundo. Agora eu quero pagar pelo que eu fiz e depois me mudar de Goiânia, trabalhar, não sei - concluiu.

[13:43] - 06/08/2008