Carolina Bellei, Jornal do Brasil
RIO - A lei que obriga as salas de cinema do Rio a vender ingressos com lugar marcado ainda não foi sancionada pelo governador Sérgio Cabral, mas algumas redes já aderiram ao modelo há mais de um ano. Em muitas salas na cidade já é possível escolher o assento para assistir ao filme. Os freqüentadores que experimentaram o novo serviço aprovaram e dizem ter até lugar preferido. Porém, o possível aumento no valor da entrada preocupa os espectadores mais assíduos.
– No início achei estranho, mas logo me acostumei. Agora quando chego no shopping, vou direto na bilheteria – revela Claudia Costa, moradora na Tijuca, que costuma freqüentar um shopping do bairro. – Já sei até o lugar que mais gosto e só entro poucos minutos antes do início do filme.
As salas do grupo Cine Arte e Arteplex se adequaram ao modelo de cadeira marcada. Entretanto, Lili Monteiro, representante do grupo no Rio, lembra que apesar de até agora a receptividade ter sido boa, o investimento para adequação ao novo sistema foi alto e deve ser repassado ao público.
– Daqui a pouco acredito que teremos que aumentar o preço dos ingressos. O investimento foi alto e agora também temos gastos com manutenção – defende Lili, explicando que foi necessário construir mais cabines para atender o público, aumentar a mão-de-obra, instalar tecnologia mais moderna e novos equipamentos.
O possível aumento nos bilhetes revoltou o aposentado Arnaldo Ferreira: – O cinema é uma atividade cultural popular e é por isso que é mais barato. Não cabe limitar o acesso da população.
Demora para comprar ingresso
Com o novo modelo, Lili ressalta que houve algumas mudanças. Se antes havia fila para entrar nas salas de cinema, agora a demora é para comprar os ingressos. Luiz Gonzaga de Luca, diretor de relações institucionais do Grupo Severiano Ribeiro, completa que quando se trata de casais ou idosos a demora é ainda maior.
– O tempo para comprar bilhetes dobrou, chega a 20 segundos por atendimento – afirma Luiz. – E quando são idosos ou casais, a demora é ainda maior.
Para a escritora Carla Barbosa, a fila para comprar os ingressos não assusta, é apenas uma questão de se organizar. Carla vai ao cinema pelo menos uma vez por semana, mas as salas onde costuma freqüentar, no Centro, ainda não oferecem o serviço. Ela não esconde a frustração.
– Semana passada fui assistir a uma estréia com alguns amigos. Nos organizamos para isso, compramos os ingressos com horas de antecedência – conta Carla. – Mas na hora de entrar enfrentamos uma fila enorme, tivemos que sentar nas cadeiras da frente e ainda separados. Se fosse lugar marcado, seria mais justo.
Lili alerta que alguns hábitos dos cariocas terão que ser mudados em virtude do novo modelo adotado nos cinemas. Segundo ela, não será mais possível chegar atrasado para as seções de cinema.
– A numeração só é valida antes do filme começar. Depois, os atrasados têm de sentar onde está disponível.
[00:12] - 05/08/2008