CULTURA

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A Itália desembarca nas galerias cariocas

Clara Passi, Jornal do Brasil

RIO - Uma espécie de mês da Itália no Brasil se estabeleceu extra-oficialmente no circuito das artes plásticas carioca. Agosto é pontuado por cinco mostras de importantes artistas italianos, espalhadas pelos espaços culturais da cidade.

Já desembarcou o pintor napolitano Ernesto Tatafiore, cuja mostra Filosófico – Utópico ocupa o MAC de Niterói desde 27 de julho.

Atrás vêm o gravurista Mimmo Paladino, que abre quinta-feira, no MAM, Obra gráfica, e o escultor e mascareiro Donato Sartori, que leva à Caixa Cultural as 186 máscaras da exposição A máscara teatral na arte dos sartori da commedia dell´arte ao mascaramento urbano.

Jannis Kounellis, um dos nomes centrais da arte contemporânea internacional e um dos expoentes da arte povera, inaugura amanhã uma instalação na nova Galeria Progetti, no Arco do Teles.

Por fim, David Secchiaroli, filho do fotógrafo italiano considerado o primeiro paparazzo da história, Tazio Secchiaroli (morto em 1998, aos 73 anos) para abrir a mostra Tazio Secchiaroli – O cinema no olhar, na Caixa Cultural, dia 12.

As exposições têm em comum o braço forte do Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro.

Rubens Piovano, diretor do instituto (circunscrito ao Ministério da Cultura da Itália), diz que a concentração de nomes italianos no calendário cultural da cidade é pura coincidência.

A programação intensa em terrenos distintos das artes visuais, realizadas ou apoiadas pelo Instituto, desde o fim de julho, não foi planejada.

– Instituir oficialmente um ano da Itália no Brasil, como ocorre com a França, seria um sonho. Para um italiano, convite para vir ao Brasil é sempre um prazer.

Antonio Cava, curador da mostra de Tazio Secchiaroli, conta que o Rio é escala privilegiada na rota da exposição que já passou por São Paulo e Curitiba.

– A edição do Rio inclui 15 fotos a mais do que a das outras cidades, incluindo a raridade que eternizou o encontro de Secchiaroli com o cineasta Frederico Fellini, na Via Veneto romana, em 1958 – explica.

A imagem se destaca entre as outras 89 pelo fato de ter sido Fellini quem deu a Secchiaroli o apelido de paparazzo, que mais tarde se tornaria sinônimo (para o bem e para o mal) de fotógrafo que persegue celebridades para capturar cenas não-autorizadas.

– Secchiaroli virou protagonista também: era perseguido pelos seguranças dos artistas e até pelo marido de Anita Ekberg. Ele abriu a caixa de Pandora – comenta o curador sobre o fotógrafo cujas histórias inspiraram o roteiro de A doce vida, de Fellini.

Sua lentes registraram Fellini no set de filmagem de filmes como 8 e ½ e Amarcord. A mostra traz ainda fotografias dos astros e estrelas que filmaram nos estúdios de Cinecittá, em Roma, além de uma sessão especial dedicada aos atores Sophia Loren e Marcello Mastroianni, de quem Secchiaroli foi fotógrafo pessoal e de confiança.

Tranqüilo com a segurança dos museus do Rio, Donato Sartori está animado com a chance de rever as máscaras do folclore brasileiro e espera ampliar o patrimônio, marcado por peças da commedia dell' arte, com algumas típicas do carnaval carioca.

– Espero encontrar no Rio Mimmo Paladino e Jannis Kounellis, importantes não somente na Itália, mas internacionalmente, em função de sua representatividade na corrente da vanguarda artística.

E completa, otimista:

– Desde os anos 60 realizo exposições em todo o mundo, alguns em países pouco seguros. Não me impressiona, nem alarma esse contexto (de insegurança no Rio) – diz Sartori, numa fagulha de esperança em meio à crescente insegurança internacional em relação aos espaços expositivos no Brasil.

Mimmo Paladino endossa:

– O parentesco entre Itália e Brasil é antigo, eu mesmo viajei ao Brasil 30 anos atrás. Não tenho medo dos roubos, tenho confiança nos museus brasileiros.

[20:10] - 02/08/2008