ELEIÇÕES 2008

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Candidatos apresentam as suas idéias para frear crescimento no Rio

Fred Raposo, Jornal do Brasil

RIO - São poucos os caminhos no Rio que não levam a uma favela. Dos 160 bairros que compõem a cidade, 135 remetem a territórios ocupados.

São 750 favelas. Dados do Instituto Pereira Passos (IPP) mostram que, entre 1999 e 2004, as comunidades expandiram-se em 90 bairros, mantiveram-se estáveis em 33 e decresceram em 12 localidades.

O Jornal do Brasil colheu propostas dos oito principais candidatos à prefeitura para conter o avanço desordenado das favelas – tema de 10 entre 10 campanhas eleitorais.

Na ponta da língua a revitalização do Favela-Bairro, costura de parcerias com o governo federal e uso do PAC.

A principal medida do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) será implantação do projeto Cimento Social – em curso no Morro da Providência – nas comunidades.

– Não se trata apenas de pintar fachadas, mas urbanizar o local. A construção de telhados inibe a expansão vertical, enquanto a definição de marcos e reflorestamento contém a lateral – informa o candidato, que, propõe viabilizar moradias populares em “lugares melhores”.

– Queremos criar condições que atraiam moradores para outros locais.

Eduardo Paes (PMDB) aponta três razões para a expansão das favelas: sistema de transporte caótico, falta de programa de habitação para baixa renda ou menos de três mínimos e complacência do poder público com novas invasões.

– Vamos agir nessas três frentes. A integração físico-tarifária levará o transporte público para novo patamar. Faremos parcerias com a iniciativa privada para construir 100 mil moradias populares em vazios urbanos com infra-estrutura – revela o peemedebista.

– Levarei o PAC a outras comunidades, como complexos da Penha e do Lins. Seremos rápidos e rigorosos com tentativas de expansão vertical ou horizontal.

Fernando Gabeira (PV) propõe, a curto prazo, definir eco-limites. A médio e longo prazo: orientar moradores sobre como regularizar terrenos e criar 25 pólos regionais, onde casas populares serão inseridas em contexto desenvolvimentista.

– Isso será aliado à melhoria do transporte público, com introdução do bilhete único, que encurtará trajetos e reduzirá custos do trabalhador em até 40% – conta.

Jandira Feghali (PCdoB) aposta na criação de projeto habitacional vinculado a transporte eficiente, além da revitalização de grande centro urbanos, como Centro, Leopoldina e zonas Norte e Oeste.

– Um trabalhador perde até 2h40 na viagem, isso tem que mudar. Favela também é cidade, não faço divisão. Por isso, ação na favela deve ser igual a em qualquer bairro – reivindica a comunista, que diz acreditar na parceria com outras esferas do poder. – Você sabia que o principal proprietário de terras e imóveis na cidade é o governo federal? A prefeitura precisa saber negociar.

Favela-bairro no alvo

Solange Amaral (DEM) prega aperfeiçoamento e ampliação do programa Favela-Bairro.

– Vamos levá-lo para mais 100 comunidades, um projeto que tem 15 anos e apoio do banco Interamericano de Desenvolvimento – explica a candidata, que defende a monitoração online do crescimento das comunidades. – É uma forma de controlar, por satélite, o tamanho das comunidades, e impedir qualquer avanço, mas temos que formar parceria com o governo estadual.

Alessandro Molon (PT) critica o Favela-Bairro e aponta projeto de urbanização integrada, a exemplo do projeto Vila Viva em Belo Horizonte, que inspirou o PAC.

– O Favela-Bairro ficou aquém do que poderia. O PAC vai muito além. O problema da tuberculose da Rocinha que é um taxa altíssima por que? Por falta de ventilação. Nós vamos com a urbanização integrada, contenção imediata da expansão e estímulo à troca de uma casa na favela por uma habitação regular.

Chico Alencar (PSOL) destaca parceria entre Ministério das Cidades e a Companhia Estadual de Habitação, que promoveria programa de moradia popular.

– A integração permitirá recuperação de 5 mil imóveis no Centro, além da área do Cais do Porto – assinala o candidato, que diz acreditar que a expansão se estabilizará devido à queda do crescimento populacional do Rio – A cidade já não é pólo tão atrativo quanto antes..

Paulo Ramos (PDT) retoma proposta da Era Vargas: cobrar aluguel simbólico e, depois de 25 anos, o morador vira dono da casa.

– A solução para conter expansão é oferecer condições dignas.

[00:05] - 02/08/2008