RIO

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Copacabana: um cartão-postal da desordem

Felipe Sáles, Jornal do Brasil

RIO - Um ano e três meses depois de iniciada a Operação CopaBacana, a Princesinha do Mar ainda é o bairro mais suscetível à desordem urbana e está muito longe do ideal, segundo o próprio xerife do projeto, o subsecretário de Governo, Rodrigo Bethlem.

Uma ronda feita ontem pelo JB constatou que ainda não há esquina sem bandalha: ao lado da 12ª DP (Copacabana), na Rua Hilário de Gouveia, por exemplo, moradores de rua montam casas e carros estacionam no sinal e na calçada da delegacia. Feiras de frutas – até mesmo em carrinhos de mão – se espalham nas ruas, enquanto o Estado estuda novas estratégias para combater a desordem urbana.

Na Rua Sá Ferreira, próximo ao Morro Pavão–Pavãozinho, as duas calçadas são tomadas por feirantes e, numa delas, a qualquer hora do dia há uma criança, com menos de 10 anos, estirada no chão.

Nas ruas Santa Clara e Tonelero, próximo ao Túnel Sá Ferreira, é ponto de esmola de meninos de rua. As feiras também continuam ocorrendo nos mesmos locais, como as ruas Barata Ribeiro e Siqueira Campos, em frente a supermercados. Na República do Peru com Nossa Senhora de Copacabana, um feirante exibe frutas até mesmo num carrinho de mão.

– Sabemos que agora existe um esforço para acabar com a desordem, mas a impressão que temos é de que continua tudo da mesma forma – lamenta a dona-de-casa Nilmar Ferreira, 63 anos.

Piratas de Copacabana

Nas ações do CopaBacana, cerca de 50 pessoas foram presas vendendo CDs e DVDs piratas. Bethlem conta que, na semana passada, dois homens foram presos na Rua Santa Clara oferecendo até mesmo cartão fidelidade, com promoção de “leve cinco e ganhe um”.

Ontem, porém, o ponto de vendas continuava em funcionamento, mas bastou o repórter-fotográfico apontar a câmera para os ambulantes fugirem.

– Só conseguimos prendê-los porque nossos agentes estavam à paisana – revela Bethlem.

– Sabemos que é preciso uma intensificação maior, ainda estamos longe do ideal, mas o balanço geral é positivo.

Bethlem reclama que é preciso uma conscientização maior da população – mas também por parte dos comerciantes do bairro.

Na orla, calçadas em frente a hotéis transformam-se em estacionamentos privativos – tudo sob a vigília de guardas municipais.

Em frente ao Copacabana Palace e à Rua Figueiredo Magalhães, o calçadão mais famoso do mundo é transformado em feira e os postos de salvamento em acampamento de ambulantes. Todos cercados – e sem serem incomodados – por guardas municipais, do outro lado da rua, e por uma tenda da PM instalada na areia.

Presidente da Associação de Moradores de Copacabana, Horácio Magalhães cobra ações mais constantemente – além de um trabalho de inteligência que reprima a chegada das mercadorias.

– Antes não tinhamos nada, agora pelo menos temos alguma coisa – disse Horácio.

– Mas que as ações têm de ser intensificadas, sem dúvida alguma.

[00:11] - 01/08/2008