Cláudia Dantas e Júlia Moura, JB Online
RIO - Candidato à prefeitura do Rio, Eduardo Paes (coligação Unidos pelo Rio – PMDB, PP, PSL e PTB) afirma em entrevista exclusiva ao JB Online que a boa relação com o governador Sérgio Cabral e União sedimentarão a nova fase da prefeitura do Rio. Paes diz acreditar que pode desempenhar bem o papel de síndico da cidade, ao cuidar da iluminação pública, da recuperação de vias e estradas, contendo o crescimento desordenado das favelas, além de outras atribuições.
- É como uma dona de casa, que mantém a casa arrumada – diz.
Para o candidato, segurança pública e saúde serão "os maiores desafios da futura administração", garante. Paes quer ainda criar duas secretarias municipais: da Ordem Pública, nomeando um secretário para seu o “xerife” que terá a função de colocar ordem na cidade e a de Conservação, que atuará como uma dona de casa.
JB: Como o candidato acredita que o Rio precisa de uma integração entre Estado e prefeitura, quais são as medidas adotadas para que funcione? Qual o possível benefício de ter o apoio do governo de Sérgio Cabral?
Eduardo Paes: Duas palavras para definir nossa campanha à prefeitura do Rio: integração e saúde. O apoio do governador Sérgio Cabral tem dois pontos positivos: um é o apoio político por si só, uma liderança política que impacta na eleição. Mas não só por isso, é pelo que este apoio representa. Um dos principais problemas da cidade hoje é o isolamento. Não só com os atores políticos, mas com os demais níveis de governo, os atores sociais, a imprensa, é uma relação conflituosa com tudo e com todos. E o Rio é o oposto disso, é fundamental que a prefeitura deixe de ser uma trincheira política que não defende o interesse da população.
Os apoios do governador e da União são fundamentais para trabalharmos temas essenciais à prefeitura. Não podemos fazer a saúde funcionar, a segurança funcionar, sem atuar conjuntamente, é preciso intensificar essa parceria. Essa é uma vantagem minha, porque sou do partido da base aliada do governo Lula. Tenho o apoio do governador Sérgio Cabral e do presidente Lula.
JB: Qual é sua proposta de governo? O que o senhor considera o maior desafio da futura administração?
Paes: Destacaria dois pontos: segurança pública e saúde. A prefeitura é responsável pelo atendimento preliminar, o posto de saúde não funciona, o médico de família não existe, e o Estado acaba tendo de dar o atendimento preliminar. Vamos ter 20 unidades de pronto-atendimento (UPA) 24 horas até o fim do ano, e quero ampliar essa rede enormemente. Além de começar a articular melhor a rede de saúde, precisar integrá-la com a rede do Estado.
O número de hospitais no Rio é mais do que suficiente, mas como a rede não é integrada, é preciso fortalecer o atendimento, aperfeiçoar a proposta do médico de família em uma concepção nova, o consultório de família. Como as pessoas trabalham durante o dia, e ninguém marca consultas às 3h da manhã, o horário do médico de família nunca coincide com o da população. Para ajustar esse problema, pensamos no consultório de família que atenderá a população aonde ela vai estar, além das UPAs 24horas que darão os atendimentos preliminares e emergenciais. Tudo isso vai impedir a superlotação das emergências de hospitais.
Com relação à segurança, pretendo investir em uma política de promoção social nas comunidades, a gente tem de ser duro e rigoroso com o marginal, e buscar alternativas para os jovens. A guarda municipal integrada, atuando como um agente de posturas, de manutenção da ordem urbana, contendo o crime primário, com armas não-letais. O que não é possível, é numa cidade nas proporções do Rio, que representa quase 50% da população do Estado, o PIB do Rio, ficar isolada do governo estadual.
JB: O que o senhor pensa ser o papel do prefeito?
Paes:É de um grande síndico. Ele é igual a uma dona de casa que tem uma sala arrumada, um banheiro arrumado, e mantém a casa limpa. Eu conheço bem esse papel. É cuidar da rua, da iluminação pública, é tapar o buraco. Antes, as pessoas reclamavam de condições precárias dentro das favelas, hoje é possível cair em buracos enormes até mesmo na Avenida Delfim Moreira, no Leblon, na Avenida das Américas.
JB: O fato de membros do seu partido serem investigados pelo Ministério Público, o senhor acredita que isto pode prejudicar a campanha?
Paes:Não. Eu respondo pelos meus atos, tenho 16 anos de vida pública, três funções no Legislativo, três no Executivo, e você não vai encontrar uma notinha que seja no seu jornal, ou em qualquer outro, que levante qualquer suspeita sobre a minha conduta. Tenho muita tranqüilidade em relação a isso.
JB: Como o senhor pretende combater o crescimento desordenado das favelas? Sobre a desordem pública qual é a sua proposta?
Paes: Quem acompanhou minha atuação como subprefeito na região da Barra e de Jacarepaguá, sabe como fomos rigorosos com isso. O Rio não aceita mais novas ocupações, e nem o crescimento das ocupações existentes. Foi assim que aconteceu quando fui subprefeito. Havia uma favela atrás do Barrashopping, e nós combatemos. Existia outra, na entrada da Barra, na Lagoa de Marapendi, em que flagramos (gravamos um vídeo) o dono tentando tomar dinheiro meu, dinheiro da prefeitura. As ocupações na região foram contidas, e como prefeito terei tolerância zero com novas ocupações e o crescimento das comunidades existentes. Precisamos investir pesado para que as comunidades existentes tenham dignidade para continuar existindo.
Vamos tratar as pessoas com dignidade e respeito. Vamos ter o secretário da Ordem Pública, o xerife do Rio, vai ter esse papel, junto com os subprefeitos que voltaram em número menor. Vamos ter as subprefeituras fortalecidas trabalhando junto com a secretaria para fazer valer a lei.
JB: Há algum plano para melhorar a iluminação pública de alguma área específica da cidade, como por exemplo o corredor cultural do Centro do Rio?
Paes: Não temos plano direto para pontos específicos da cidade. A Iluminação Pública é um elemento fundamental na cidade. Teremos a Secretaria de Conservação, que será a dona de casa e o síndico da cidade. Acredito que melhorando a iluminação pública estaremos ajudando no combate a violência. Vamos potencializar o Disque-Luz, pois é fundamental ter uma resposta mais rápida para a sociedade. As podas de árvores também ajudaram a melhorar a iluminação da cidade.
JB: O governador Sérgio Cabral tem defendido a liberação das drogas, qual é sua posição em relação tema?
Paes:Sou contrário. Não é porque sou parceiro do governador que penso igual a ele. Não pensamos tudo igual não. Acho que as drogas devem ser combatidas, de cada caso é um caso. O usuário, por exemplo, é dependente e isto é caso de saúde pública.
JB: Qual a prioridade que o senhor pretende dar a área da saúde, em relação à questão salarial e reposição de médicos, considerando que acabamos de sair de uma epidemia de dengue?
Paes: Eu não relaciono uma coisa com a outra. A epidemia de dengue é falta de vergonha na cara da prefeitura atual, que pode fazer um atendimento básico e barato. Basta ter um agente de saúde educando a população para problemas do tipo da dengue. Vamos treinar agentes da própria comunidade para agir nesses casos.
Já os salários dos médicos é outra questão. É óbvio que existe uma defasagem de salários do servidor público, e vamos trabalhar para valorizar estes profissionais. Eu quero ampliar as garantias dos servidores e estender aos familiares, como por exemplo, o plano de saúde para toda a família, mais crédito no Previ-Rio para compra da casa própria, entre outros.
JB: Quais os planos para melhorar o sistema de transportes do Rio?
Paes: Trabalhar para intensificar o transporte de massa, é uma grande integração com o governo do Estado. Pretendemos construir a Linha 4 do Metrô, em parceria com o governador Sérgio Cabral, recursos da prefeitura, Estado e União. Trata-se de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), um bonde moderno, o chamado T5, que liga a Barra à Zona Norte do Rio. Vamos ajudar também o Estado na manutenção Linha 2, na qualificação da Supervia, com novos carros, mais investimentos, nas linhas de responsabilidade do município. Nossa proposta é racionalizar o sistema de ônibus, integrar linhas para que moradores possam trocar de coletivos e sair de seus bairros até o Centro, sem dificuldade. Pretendo criar o bilhete único que também vai facilitar a vida das pessoas. Elas chegarão ao local de trabalho por meio da integração de ônibus, metrô, trem ou barcas, e sempre pagando a mesma tarifa. Com isso, vamos tirar muitos ônibus das ruas e, ao mesmo tempo, não perdermos qualidade.
JB: Há alguma proposta que contemple os catadores de lixo? Em relação ao coleta de lixo seletiva existe alguma proposta?
Paes: A coleta de lixo seletiva tem o custo muito elevado. Já a iniciativa dos catadores de lixo é fantástica. Vamos potencializar essas iniciativas.
JB: Quem o senhor acha que pode ser o seu maior adversário na campanha?
Paes:Vou tratar de mim na eleição, da nossa candidatura, das nossas propostas, o que a gente quer fazer para a cidade, é a população que vai escolher em quem votar. Minha meta é terminar em primeiro e ganhar já no primeiro turno.
[12:51] - 25/07/2008