Chineses dormem nas ruas para comprar ingressos
JB Online PEQUIM - Milhares de pessoas, que acamparam há dias suportando temperaturas superiores aos 40 graus, conseguiram comprar seu desejado ingresso nesta sexta-feira quando iniciou-se em Pequim a quarta e última fase de venda de entradas para os Jogos Olímpicos de Pequim 2008. Foram colocadas à disposição do público local quase 250 mil entradas, além de outras 570 mil para as partidas de futebol em Tianjin, Shanghai, Shenyang e Qinhuangdao. Os organizadores acreditam que, apesar da enorme concorrência que encheu as ruas ao redor das bilheterias, a venda continuará no sábado e não se descarta o domingo se ainda sobrarem alguns. Os preços dos ingressos vão de US$ 15 (cerca de R$ 23,7) até US$ 120 (cerca de R$ 190) e são, em sua maioria, para as disputas de futebol, beisebol, ginástica, saltos ornamentais e atletismo. As 9 da manhã (horário local) já havia mais de 15 mil pessoas nas filas formadas pela polícia da cidade e militares, que cuidavam da segurança do público. Cada pessoa só podia obter um máximo de dois tíquetes. Baralho, garrafas de bebida gelada, guarda-chuvas e barracas eram o que mais se via nas filas de pessoas que passaram até duas noites no lugar, a espera do sonhado ingresso. - Chegamos às 9 da noite de ontem com um grupo de amigos de Xangai e não iremos embora até que não consigamos comprar as entradas, assegurava Ma Cheng, um jovem, que segurava um cartaz com a frase: "Está muito calor, SOS". - Já não me importa que competição verei, ainda que eu gostaria de alguma que seja disputada no Ninho de Pássaro, acrescentava Cheng, que não havia comido ou bebido algo gelado em muitas horas. O forte calor esquentou os ânimos quando uma pessoa tentou furar a fila. Imediatamente um grupo de chineses enfurecidos denunciou o fato á segurança do lugar. A forma que a polícia tem de confirmar se a pessoa se infiltrou ou não é simples, mas eficaz. Perguntam ao que está à frente, e ao que está atrás, se a pessoa estava ali. Se um deles disser que não, já é suficiente para expulsá-lo e ganhar o aplauso das pessoas. Claro que, ainda que seja uma fila de vendas de ingressos no Oriente, há costumes Ocidentais que também aparecem, como os que compram para revender, ou os clássicos personagens que ficam na fila para vender o lugar a outro. - Faz uma hora que vou de um lado para o outro e não tenho claro o que posso comprar na fila, se queixava Ninka, uma holandesa que vive há 5 meses em Pequim, mas que não fala ainda o idioma. - Nesta altura sei que não poderei escolher muito o esporte, qualquer um está bom, acrescentava Stacey, sua amiga inglesa. Dava pena ver o pequeno neto de Ding Yu Li na fila, nos braços de sua mãe, que o tirou dali para levá-lo a um lugar com um pouco de sombra. - Meu marido e meu filho estão agora sozinhos lá parados. Saí dali porque o bebê está exausto, se lamentava Yu Li. Toda a família é de Xian, 900km ao sul de Pequim, e chegaram só para não ficar de fora da grande festa chinesa. O fato claro que se observava ao falar com as pessoas na fila é que não importa o esporte, não importa o dinheiro, só interessa comprar ingressos para ser parte dos Jogos e apoiar as equipes e atletas locais. A quarta fase da venda das entradas está em andamento, e Pequim sentiu a febre Olímpica em suas ruas como nunca.
[25/07/2008 :: 10:39]
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