INTERNACIONAL

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Obama ressalta cidadania global e pede cooperação

Jornal do Brasil

RIO - McCain ironiza sucesso do rival: “Preferia discursar como presidente”

O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, conclamou a Europa a ficar ao lado dos americanos nos esforços para levar estabilidade ao Afeganistão e no enfrentamento a outros desafios, como as mudanças climáticas e a proliferação da tecnologia nuclear.

Em discurso ao lado da Coluna da Vitória – um monumento do parque Tiergarten, de Berlim – Obama afirmou que os EUA não contam com nenhum parceiro melhor do que a Europa e desaconselhou os aliados a voltarem-se para dentro.

– Ninguém gosta da guerra. Reconheço as enormes dificuldades existentes no Afeganistão – disse o candidato, no único discurso oficial em sua viagem de uma semana pela Europa e pelo Oriente Médio.

– No entanto, meu país e os países de vocês têm o interesse de ver a primeira missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) fora das fronteiras européias ser bem-sucedida. Para a população do Afeganistão e para nossos interesses compartilhados na área de segurança, essa missão precisa ser cumprida. Os EUA não podem realizar isso sozinhos.

De Ohio, nos EUA, o pré-candidato republicano, John McCain, ironizou o rival:

– Adoraria fazer um discurso político ou que interessasse aos alemães. Mas preferia fazer isso como presidente dos EUA.

Obama, que conta com grande apoio popular na Alemanha, falou diante de uma multidão formada por cerca de 200 mil pessoas, segundo estimativas.

Os meios de comunicação nacionais compararam a visita dele à do presidente John F. Kennedy, em 1963, quando este pronunciou a famosa frase: “Ich bin ein Berliner” (Eu sou berlinense).

Ao contrário de Kennedy, Obama não falou nada em alemão, mas discorreu longamente a respeito dos laços históricos entre os EUA e a Alemanha, referindo-se à ponte aérea criada para abastecer Berlim há 60 anos e à queda do Muro.

– A queda do Muro de Berlim renovou nossas esperanças. Mas essa mesma aproximação gerou novos perigos – salientou. – Nenhuma nação, independente do quão grande ou poderosa seja, conseguirá derrotar tais ameaças sozinhas.

Um porta-voz da campanha de McCain também aproveitou o discurso de Obama para fazer uma crítica ao candidato democrata:

– John McCain dedicou sua vida servindo, melhorando e protegendo os EUA. Barack passou uma tarde só falando sobre fazê-lo.

Segundo Obama, a Europa e os EUA precisam ficar lado a lado para enviar uma mensagem clara ao Irã, convencendo-o a abandonar suas ambições nucleares. O candidato ainda convocou os dois parceiros a superarem suas diferenças a respeito da guerra no Iraque a fim de ajudar os iraquianos a reconstruírem seu país.

– Sim, houve divergências entre os EUA e a Europa. Sem dúvida, haverá divergências no futuro – disse. – O maior perigo de todos é permitir que novos muros nos separem uns dos outros.

Milhares de alemães, alguns deles usando broches, camisetas com o slogan “Yes We Can” (Sim, podemos) e segurando balões de campanha, aplaudiram o democrata.

– Ele é um político pop star – definiu o estudante Johannes Ellendorf. – Não temos muitos destes na Alemanha.

Matthias Bauschulte, de 40 anos, contou que gostou muito da “mensagem de paz, de que não devemos nos concentrar em conflitos menores entre os dois países”.

Obama aproveitou o dia para reunir-se também com a chanceler alemã, Angela Merkel.

Cerca de 700 policiais participaram da operação de segurança montada em torno da Coluna da Vitória, uma construção de 70 metros de altura erguida para celebrar as vitórias militares da Prússia sobre a Dinamarca, a França e a Áustria.

McCain disse que se encontra regularmente com os líderes europeus com os quais Obama conversou durante a viagem, cujo objetivo é aumentar as suas credenciais internacionais. O senador pelo Arizona também afirmou que se reunirá com o Dalai Lama em Aspen, Colorado, hoje.

[00:03] - 25/07/2008