SÃO PAULO, 24 de julho de 2008 - O mercado deve repercutir a elevação de 0,75 ponto percentual (p.p) na taxa básica de juros - Selic - anunciada na noite de ontem, pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Há pouco, o Ibovespa com vencimento em agosto registrava desvalorização de 1,32%, aos 59.010 pontos, na Bolsa de Mercadorias & Futuro (BM&F).
Embora alguns analistas não descartassem a possibilidade da entidade monetária elevar os juros em 0,75 p.p., o que surpreendeu foi a decisão ter sido unânime. 'Avaliando o cenário macroeconômico e com vistas a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória da meta, o Copom decidiu por unanimidade elevar a taxa Selic para 13%, sem viés', segundo comunicado do Banco Central.
'A nosso ver, a principal justificativa para a aceleração no ritmo de aperto monetário foi o aumento dos riscos e conseqüente piora no cenário prospectivo de inflação em relação ao traçado pelo Copom na reunião anterior. Ao agir dessa forma, o Copom reafirma, aos agentes econômicos, o seu compromisso em perseguir, de forma tempestiva, o centro da meta de inflação já para o ano-calendário de 2009', afirma Élson Teles, economista-chefe da Concórdia Corretora.
E, justamente a inflação volta a cena nesta quarta-feira com a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que o índice desacelerou em julho, em relação a junho, com alta de 0,63%. No mês passado, a variação do índice foi de 0,90%.
Os balanços corporativos trimestrais continuam centrando as atenções dos investidores. O principal destaque fica com os resultados do Credit Suisse, segundo maior banco da Suíça, que reportou lucro líquido de 1,22 bilhão de francos suíços (ou US$ 1,18 bilhão) no segundo trimestre deste ano, queda de 62% ante os 3,19 bilhões de francos registrados no mesmo período de 2007. Mesmo com o recuo, o resultado foi superior ao estimado pelos analistas, que previam um lucro líquido de 617 milhões de francos suíços.
Em contrapartida, a Ford divulgou prejuízo de US$ 8,7 bilhões no segundo trimestre deste ano ante lucro líquido de US$ 750 milhões registrados em igual período de 2007. A companhia também reduziu suas estimativas quanto ao número de veículos a serem produzidos neste ano pela indústria local, de 16 milhões de unidades para 14 milhões. Ainda serão divulgados os resultados da 3M, Blockbuster, Bristol-Myers Squibb, Bunge, Eli Lilly, Kimberly-Clark, MBIA, Xerox, Daimler, Renault, Saint Gobain e Syngenta.
(Vanessa Correia - InvestNews)
[09:47] - 24/07/2008