Marina Mello, Portal Terra
BRASÍLIA - O ministro do meio ambiente, Carlos Minc, disse nesta quarta-feira que a licença de instalação da usina nuclear Angra 3 poderá ser concedida antes do prazo estipulado de 120 dias. Segundo o ministro, tudo vai depender da Eletronuclear, empresa que conseguiu a licença prévia, cumprir todas as condições estabelecidas pelo governo.
- Vai depender da empresa fazer o seu dever de casa. Vai depender da velocidade e da competência da Eletronuclear para que a obra de instalação de Angra 3 saia antes de setembro - disse o ministro.
O governo fez uma lista estabelecendo 60 condições para que a Angra 3 seja criada. Minc destaca entre elas a questão do lixo nuclear. De acordo com ele, a empresa terá que encontrar uma solução para o lixo atômico que será produzido pela empresa de modo que os resíduos sejam colocados longe do oceano.
- Pela primeira vez está se dizendo que o lixo não pode ficar onde está, tem que ter uma outra solução muito mais segura em outra localidade que não seja a 6 m da praia. Outros países que têm usinas nucleares encontraram soluções no fundo de minas, em cavernas profundas, com material concretado longe do mar. Não vejo porque a gente não encontre uma saída - afirmou o ministro.
Entre as condições, Minc ressaltou ainda que o governo vai exigir a criação de parques nacionais na região onde será construída a usina.
Além disso, o ministro chama atenção para o fato de que a fiscalização de eventuais acidentes será feita de forma independente.
- Além da destinação final segura e adequada do lixo atômico, o monitoramento de acidentes será independente, ou seja, não vai ser a Eletronuclear que vai dizer se houve ou não um vazamento, vai ser uma fundação independente, uma universidade que vai monitorar isso - garantiu.
Voto vencido
O ministro disse ainda que a decisão de liberar a construção da Angra 3 já estava praticamente definida pelo governo que, segundo ele, já havia "batido o martelo" em relação ao assunto.
Desta forma, ele explica que coube a ele e sua equipe apenas elencar as condições para que a licença priorizasse o respeito ao meio ambiente.
- Sempre fui crítico em relação aos riscos. Uma vez o governo tendo batido o martelo, decisão tomada, cabe a nós, conhecendo o risco, exigir condições que minimizem esse risco.
Apesar de ter sua história na militância ambiental marcada pela luta contra o lixo atômico, Minc negou ter sido "voto vencido" dentro do governo.
Para explicar a situação vivida por ele, Minc citou como exemplo um condomínio no qual algum morador sempre acaba discordando da decisão tomada pelos outros moradores.
- Às vezes prevalece o seu ponto de vista e às vezes prevalece o do outro - disse.
Mesmo deixando claro que a liberação para construção da usina não é tema de sua "predileção", o ministro declarou que não se sente desprestigiado com a licença concedida. Segundo ele, exemplo disso é o fato de ontem o governo ter anunciado medidas que endurecem a lei ambiental.
- Estou muito contente com o anuncio feito ontem pelo presidente. (...) eu me sinto um ministro forte, um ministro prestigiado, mas obviamente não sou o dono do governo - concluiu.
[21:39] - 23/07/2008