Em dia da estréia, Felipão vê brasileiros e 'salva' torcedor
Julio Gomes, Portal Terra GUANGZHOU, CHINA - A estréia de Luiz Felipe Scolari no Chelsea foi tranqüila dentro de campo, com a vitória de 4 a 0 sobre o fraco Guangzhou Pharmaceutical. Fora das quatro linhas, o treinador brasileiro de maior sucesso no mundo viveu um dia mais intenso. Pela manhã, partida de tênis no hiper luxuoso hotel que recebeu a equipe na China. Jogaram com ele os dois auxiliares da comissão técnica, Flávio Murtosa e Steve Clarke. Ainda antes do almoço, entrevista para uma revista chinesa, com tempo para uma conversa com a reportagem do Terra, único veículo de comunicação brasileiro que acompanhou a estréia. - Estou gostando muito daqui. É tudo muito organizado dentro do clube, e os jogadores são hiper educados e profissionais, são excelentes, comentou Scolari, sempre interessado no andamento do Campeonato Brasileiro. - O Flamengo perdeu em casa, né?, perguntou. Durante o aquecimento dos jogadores do Chelsea, poucos minutos antes do apito inicial, Felipão percebeu a presença de cinco brasileiros na arquibancada do Estádio Olímpico Guangdong e foi até eles. Com uma bandeira do Brasil em mãos e camisetas do Grêmio no corpo, os cinco gaúchos desejaram boa sorte. - Ele nos perguntou de onde a gente era. É um cara muito simples e torcemos muito pelo Felipão, disse Alex Schneider, que mora há dois anos na China e é da cidade de Campo Bom. Ele trabalha em uma fábrica de sapatos na cidade vizinha de Dong Guan, assim como os quatro amigos no estádio. Por lá há uma comunidade de aproximadamente três mil brasileiros trabalhando no setor. Vanderlei Basei, também de Campo Bom, mostrou confiança na fama de "copeiro" de Felipão e profetizou. - O Chelsea vai ganhar a Copa da Inglaterra e a Liga dos Campeões, mas no fim do ano que vem ele perde o Mundial para o Grêmio lá em Tóquio. Enquanto o time entrava em campo para o amistoso, Scolari passava por trás da linha de fotógrafos, discretamente, para sentar no banco ao lado de Murtosa e do preparador físico Darlan Schneider. Comentou sobre os gaúchos que acabara de conhecer e mostrava certa tensão. Em campo, viu o Chelsea dominar a partida com facilidade, mas perder muitos gols. A boa notícia é que o meio-de-campo com Mikel, Essien, Deco e Lampard funcionou bem (e ainda falta o alemão Ballack, que chega nos próximos dias). A má notícia é que o lateral-direito Bosingwa, que acabou de ser contratado pelo clube, saiu machucado no primeiro tempo. Felipão levantou poucas vezes do banco e, na maioria das ocasiões, só conversou com os jogadores que falam português. Ao final da partida, no entanto, ele voltou a mostrar que o idioma não é o maior de seus problemas e deu entrevista coletiva em inglês. Conseguiu se expressar com tranqüilidade. Relaxado, ele brincava e mostrava expressões faciais curiosas a cada pergunta feita pela imprensa chinesa - já que, obviamente, não entendia nada da língua. Na caminhada rumo ao ônibus da equipe, um último susto. Um torcedor chinês furou a segurança e pedia a gritos um autógrafo em uma revista. A polícia chinesa já estava quase arrastando o cidadão, quando Felipão e dois funcionários do Chelsea chegaram ao resgate dele. Pediu calma aos policiais, atendeu ao pedido e, finalmente, foi embora. Com a vitória no bolso e a certeza de que o trabalho mal começou. O Chelsea chegará nesta quinta-feira a Macau para o amistoso do próximo dia 26. A parte asiática da pré-temporada acaba no dia 29, em Kuala Lumpur, na Malásia.
[23/07/2008 :: 17:35]
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