SÃO PAULO, 23 de julho de 2008 - As apostas em relação ao rumo da taxa Selic, fixada em 12,25% ao ano, já foram feitas, agora resta esperar pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que define hoje à noite a trajetória do juro do País. No mercado de renda fixa, a expectativa majoritária dos agentes financeiros é de que a taxa de juro básica da economia vai subir pelo menos 0,50 ponto percentual. No entanto, as apostas para um aumento de 0,75 ponto cresceram nos últimos dias.
Para a economista-chefe da Arkhe DTVM, Inês Filipa, mesmo com a deterioração das expectativas inflacionárias, que se aceleraram desde a última reunião, o Copom deve manter o gradualismo e elevar a Selic em 0,50 ponto. "Os indicadores de atividade econômica permanecem registrando ritmo forte de crescimento sustentado pelo aquecimento da demanda. Mas a preocupação entre um aumento no descompasso entre oferta e demanda segue elevado, principalmente com a produção industrial crescendo num ritmo inferior ao do consumo. E como o Brasil e as demais economias globais sofrem com um choque de oferta dos alimentos, não há como conter, via juros, os elevados preços das commodities", diz, ponderando que a elevação do juros limita o aumento da inflação contaminada pelo crescimento da demanda.
Para os analistas da corretora Gradual, a queda recente das commodities é uma boa e má notícia para o Brasil. Se de um lado influencia negativamente os papéis da Vale e da Petrobrás, por outro, tira a corda do pescoço do BC. "O arrefecimento das commodities está recolocando a inflação num patamar mais adequado. Isso fará com que o aperto na taxa Selic seja mais eficiente, de um lado, e menos oneroso ao governo, de outro", destacam em relatório. Esse cenário mais benigno reforça o call de aumento de 0,50 ponto.
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), as projeções de juros embutidas nos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) de curto prazo, que refletem melhor a decisão do Copom, operaram em alta. O prêmio do contrato para outubro deste ano, o mais líquido, passou de 12,88% para 12,92%. Já os vencimentos longos perderam prêmio, novamente a reboque da melhora nas expectativas de preços decorrente da desvalorização do petróleo e de outras commodities no mercado internacional. O DI para janeiro de 2010 projetou taxa de 14,91%, contra 14,93% do ajuste. Janeiro 2010 cedeu de 14,61% para 14,52%.
No noticiário, a FGV divulgou o IPC-S referente à semana de 22 de julho e a confiança do consumidor, que em julho registrou queda de -4,9%, menor dos últimos dois anos. No caso do IPC-S, a inflação registrada foi de 0,67%, em linha com a mediana.
(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)
[16:53] - 23/07/2008