ECONOMIA

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Brasil quer etanol nas discussões da OMC

SÃO PAULO, 23 de julho de 2008 - O Brasil quer incluir os biocombustíveis nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC), para ter acesso mais fácil aos mercados americano e europeu. Entre os principais produtores mundiais de etanol, o País gostaria de desenvolver suas exportações, mas se vê limitado pelas tarifas impostas por norte-amercianos e europeus.

Durante a reunião ministerial da OMC, em Genebra, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, abordou o assunto numa conversa com a representante americana do Comércio, Susan Schwab, em vão. "O etanol deve fazer parte de um acordo esta semana", declarou Amorim. "Por enquanto, os EUA disseram não", acrescentou.

Na OMC, o Brasil gostaria que o etanol fosse colocado na lista dos bens ambientais nas negociações, e não mais como um simples produto agrícola, e se beneficie assim de um livre acesso ao mercado. "O Brasil produz 15 bilhões de litros de etanol por ano, e somente entre 3 e 5 bilhões vão para exportação", disse Carlos Cozendey, do Departamento Econômico do Itamaraty. "O potencial para exportação é imenso", destacou o diplomata.

Os Estados Unidos são os primeiros produtores de etanol, que extraem do milho, com 48% da produção mundial em 2007. O Brasil produz 31% de etanol de cana, enquanto a União Européia está na origem de 60% da produção mundial de biodiesel, tirado de óleos vegetais.

Além das concorrências de outros países produtores, o Brasil deve ainda enfrentar uma nova barreira contra os biocombustíveis, denunciados como uma das causas da disparada dos preços dos alimentos. Tidos inicialmente como meio de lutar contra o aquecimento climático por substituir a gasolina e o diesel, foram condenados pelo Banco Mundial, a Oraganização das Nações Unidas (ONU) e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE).

A OCDE, que se pronunciou em defesa de uma "moratória" para os biocombustíveis, destacou a dependência de sua produção com relação às subvenções públicas.

(Redação com agências internacionais - InvestNews)

[15:08] - 23/07/2008