Apostas para o Copom pressionam taxas de curto prazo
SÃO PAULO, 22 de julho de 2008 - Inicia-se hoje a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que definirá a nova taxa básica de juros. No mercado, não se coloca em discussão a necessidade de avançar com o aperto monetário, mas discute-se a intensidade do movimento de elevação da taxa Selic. A opinião geral é de que o juro será ajustado em 0,50 ponto percentual, para 12,75% ao ano. Entretanto, para alguns analistas, a forte deterioração das expectativas, provocada pela virulência da inflação corrente, poderia minar a eficiência da política monetária, justificando a intensificação do ajuste através de uma alta de 0,75 ponto.

O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa é um dos que acredita na manutenção da estratégia de altas graduais de 0,50 ponto ao longo das próximas reuniões, se estendendo até meados do 1ª semestre de 2009, quando a Selic atingirá 15,25%, permanecendo neste patamar durante boa parte do próximo ano.

Já o conselheiro econômico da Associação Nacional das Instituições de Crédito Financiamento e Investimento (Acrefi), Istvan Kasznar, projeta aumento de 0,75 ponto. "A demanda interna aquecida, a liberação de crédito em grande escala para o financiamento de carros e utilitários e a disparada de preços do petróleo e dos grãos no exterior continuarão a pressionar a inflação", avalia.

Essa falta de consenso mantém a curva de juros pressionada e volátil. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para outubro deste ano, que concentra as apostas para a reunião do Copom, passava de 12,89% para 12,90%. Janeiro de 2010, o mais líquido, apontava taxa anual de 14,98%, contra 15,04% do ajuste de ontem.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)

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[ 13:02 ]   22/07/2008