Carteiros encerram greve e terão de fazer hora extra

Eloisa Leandro, Jornal do Brasil

RIO - A greve dos Correios que atingiu 24 Estados do país chegou ao fim depois de 21 dias. Ontem, a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) referendou o acordo firmado na reunião com o ministro das Comunicações, Hélio Costa, no sábado, com adicional de risco de 30% no salário para 43 mil carteiros e o pagamento de R$ 260 a mais para atendentes em guichê e funcionários da distribuição.

Os carteiros vão compensar as horas paradas com outras extras para compensar o volume de correspondências atrasadas nas agências, superior a 140 milhões.

A Empresa de Correios e Telégrafos (ETC) prevê que o serviço de entrega se normalize em 10 dias.

Para o secretário geral da Fentect e responsável por conduzir as negociações com o governo, Manoel Cantoara, a paralisação terminou com um saldo positivo para a categoria. No acordo está prevista a discussão do Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) de 2008 com o Tribunal Superior do Trabalho (TST).

O único item não incluído no acordo, uma das reivindicações da categoria, é a participação nos lucros e resultados (PLR), de 2007.

– A greve foi positiva para a categoria, porque tivemos parte das reivindicações atendidas. Conquistamos um termo de compromisso que firma a discussão do Plano de carreira, Cargos e Salários – conta.

Compensação

A alternativa para a categoria não ter os dias de paralisação descontados em folha foi a realização de uma força-tarefa. Os funcionários da ECT vão trabalhar no sistema de banco de horas, ou seja, terão que compensar as horas paradas com outras excedentes, inclusive nos fins de semana. O objetivo é esvaziar as agências dos Correios rapidamente.

– Os funcionários não terão cortes nos salários. Para isso, todos vão entrar no banco de horas e terão que compensar as horas paradas com horas excedentes diariamente e nos fins de semana – diz Cantoara.

Os Correios informaram que as localidades do país mais afastadas terão que esperar um pouco mais devido ao efetivo menor. O levantamento da empresa aponta que 31% das correspondências ainda não chegaram aos seus locais de destino.

Com as encomendas, apenas 3,6% não foram entregues, totalizando 360 milhões.

Durante a greve, a Empresa de Correios e Telégrafos recebeu mais de 420 milhões correspondências, mas apenas as cartas registradas e pacotes foram entregues. De acordo com os Correios, 96,4% dos 10,2 milhões de pacotes foram entregues aos destinos.

No Rio, a expectativa é que as correspondências retidas nos Centros de Distribuição Domiciliares sejam entregues até a sexta-feira. Os serviços de Sedex 10, Sedex Hoje e Disque Coleta em áreas que estavam suspensos voltam ao normal hoje.

Pagamentos

Ao contrário do esperado por maior parte das prestadoras de serviços que dependem dos serviços da estatal, a greve dos Correios não causou grande impacto negativo no recebimento dos pagamentos das faturas das empresas de telefonia fixa e móvel.

As operadoras garantem que o índice de inadimplência foi muito abaixo do esperado. Embora preferissem não revelar o percentual, a Vivo, OI, Tim e Claro alegaram que os clientes retiraram a segunda via dos boletos via internet, fax e telefone, alternativas concedidas pelas empresas para evitar o não pagamento das contas.

De acordo com institutos de defesa do consumidor, o não pagamento de qualquer conta por causa da greve não exime o cliente de pagar os juros. Só se a empresa não tornar disponível um outro meio de quitar a dívida, como retirar 2ª via pela internet.

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[ 00:43 ]   22/07/2008