Zimbáue: rivais fazem acordo prévio para governo de união

Alan Cowell, Jornal do Brasil

NOVA YORK - Os contenciosos líderes políticos do Zimbábue apareceram juntos ontem pela primeira vez em anos para assinar um acordo preliminar estabelecendo os termos das negociações para tirar o país do caos político.

A cerimônia uniu o presidente Robert Mugabe e Morgan Tsvangirai, líder de oposição do Movimento para Mudanças Democráticas.

Noticiários ressaltaram que os dois não se encontravam há uma década, desde quando Tsvangirai era líder de um sindicato, antes de emergir como o chefe do principal grupo da oposição, em 1999.

Embora o chamado Memorando de Compreensão tenha sido um passo modesto em função do caos e colapso atual no Zimbábue, a visão de Mugabe na mesma sala que Tsvangirai pareceu uma cena completamente oposta ao derramamento de sangue, fraude eleitoral e ruína econômica comuns no país.

A cerimônia no hotel Harare foi supervisionada por Thabo Mbeki, presidente da vizinha África do Sul, que serviu como intermediário durante meses, desafiando críticos que disseram que seus esforços apenas davam tempo para Mugabe exceder seus oponentes em astúcia.

Mbeki disse, sem dar muitos detalhes, que o pacto “compromete os negociadores a um intenso programa de trabalho para tentar finalizar um acordo o mais cedo possível”. Ao que Tsvangirai concordou:

– A negociação foi o primeiro tênue passo rumo a uma solução para um país que está em crise.

Tsvangirai tinha se tornado cada vez mais hostil com a intermediação de Mbeki, dizendo que o líder da África do Sul estava predisposto a favorecer Mugabe.

Mas o humor mudou na semana passada, quando Mbeki aceitou uma função para a União Africana, as Nações Unidas e um agrupamento de 14 nações sul africanas.

A cerimônia de ontem proporcionou alguma vindicação pelos esforços de Mbeki e providenciou munição para justificar sua resistência às demandas dos Estados Unidos e Grã-Bretanha de impor sanções punitivas contra Mugabe e seus seguidores mais próximos.

Ronnie Mamoepa, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da África do Sul, descreveu a ocasião como um “passo à frente positivo nos diálogos contínuos”.

Agenda

Analistas no Zimbábue disseram que os assuntos mais difíceis não seriam abordados até o começo de negociações íntegras entre figuras políticas profundamente opostas e mutuamente hostis, vistas por muitos analistas como parceiros improváveis de um acordo de partilha de poder parecido com o que emergiu no início deste ano depois do derramamento de sangue pós-eleitoral do Quênia.

Durante aquele acordo, autoridades criaram um cargo de primeiro ministro para Raila Odinga, principal rival do presidente Mwai Kibaki.

No Zimbábue, as hostilidades são profundas e não se sabia se mediadores pressionariam por um acordo similar.

Tsvangirai tem lutado pela criação de uma autoridade transicional até novas eleições. A África do Sul tem impulsionado por um governo nacional unido.

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[ 00:32 ]   22/07/2008