Jogo dos setes erros no governo Cesar Maia

Ana Paula Verly e Cláudia Dantas, Jornal do Brasil

RIO - Em tempos de eleição, sempre surgem candidatos com idéias mirabolantes capazes de resolver todos os problemas da cidade. Em 2004, quando tentava se eleger, o atual prefeito Cesar Maia apresentou uma série de propostas para o Rio, mas boa parte delas não saiu do papel.

Dentre as propostas sugeridas pelo alcaide estava a colocação de um serviço de barcas na Barra da Tijuca, construção do túnel da Grota Funda, o Cocrredor T5 e a Ligação C (Barra da Tijuca–Deodoro–Bangu).

Consultado pelo Jornal do Brasil, o atual prefeito evoca o esforço para um grande evento:

– O Pan foi cumprido – dispara Maia.

Já o Plano Diretor, que define o que a cidade vai ser pelos próximos 10 anos de administração pública, não foi votado até agora. Segundo Maia, o Plano foi enviado em agosto de 2001, no entanto a Câmara dos Vereadores pediu um substitutivo com estudos internos da prefeitura. A alteração foi feita, mas a votação, segundo ele, ficou em suspenso. Especialistas em urbanismo, entretanto, dizem que faltou disposição da prefeitura para pressionar os vereadores.

Em relação aos novos acessos à Barra – Ligação C, Corredor T5 e Túnel da Grota Funda, que seriam financiados pela iniciativa privada – o prefeito explica que o túnel fez parte da lista de compromissos do mandato 2004-2008, e que teria sido licitado pelo ex-prefeito Luiz Paulo Conde, mas o concessionário acabou desistindo do projeto.

Os demais projetos, Maia garante que são compromissos muito recentes para atender os pré-requisitos da candidatura do Rio aos Jogos Olímpicos de 2016.

Outra proposta era a de instalar um serviço de barcas na Barra da Tijuca para levar moradores da Zona Oeste ao Centro da cidade. O prefeito assinou um decreto, em outubro de 2004, para disponibilizar o serviço. Hoje, entretanto, alega que sempre considerou a obra economicamente inviável.

O combate ao crescimento desordenado das favelas também foi tema de campanha do atual alcaide, que hoje insiste em afirmar que a prefeitura não tem poder de polícia para intervir ou conter essa expansão. O Ministério Público, inclusive, já moveu ações contra a prefeitura.

– A taxa de crescimento caiu de 2,5% para 1,5% ao ano – defende-se o prefeito.

A questão do saneamento da Barra e do Recreio, outro tema polêmico, passou para as mãos do Estado em 2006, depois de o governo estadual instaurar um processo contra a prefeitura para retomar o controle.

O prefeito chegou a lançar, em 2001, um edital para fazer a concessão do sistema de tratamento de esgotos da região, mas o programa não saiu do papel. Maia sustenta, no entanto, que o Estado não quis transferir o poder concedente.

– O governador pediu que transferisse a ele a responsabilidade e assim foi feito – explica.

Sobre a duplicação da Avenida das Américas, o prefeito afirma “não se tratar de promessa de campanha, e que os estudos de viabilidade estão sendo feitos”.

Mas o fato é que, desde 2005, havia a promessa de duplicar a via expressa até a altura da Avenida Baltasar da Silveira e o Recreio Shopping, e novamente apenas parte da via foi duplicada.

A obra esbarrou em problemas ambientais, que impediram a construção de uma nova ponte sobre a Lagoa de Marapendi, na Barra da Tijuca, para desafogar o trânsito naquele trecho.

A gestão do Parque Nacional da Tijuca e do antigo Hotel das Paineiras, na Floresta da Tijuca, também não foi à frente por causa das eternas disputas com os governos federal e estadual.

Os candidatos à prefeitura do Rio criticam Cesar Maia e afirmam que o isolamento político foi a principal causa do insucesso do atual prefeito.

Para Alessandro Molon (PT), o prefeito “prometeu coisas que não sabia se poderia cumprir e fez da mentira a sua principal arma política”.

– As contendas e o isolamento da prefeitura em relação aos vários níveis de governo foram a marca registrada da gestão Maia e nem sei se a sua candidata vai agir da mesma forma – ataca Molon.

O candidato Marcelo Crivella (PRB-PR-PSDC-PRTB) também concorda que foi o isolamento da prefeitura que fez Cesar não cumprir as promessas de campanha:

– Ele não soube estabelecer as parcerias com os governos federal e estadual – avalia.

Já Eduardo Paes, da coligação Unidos pelo Rio (PMDB- PP-PSL-PTB), concorda que o projeto das barcas na Barra da Tijuca é economicamente inviável.

– Isto é programa de campanha para enganar eleitor – dispara o candidato.

Para Jandira Feghali, “a prioridade escolhida pelo prefeito foi a Cidade da Música”.

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[ 00:29 ]   22/07/2008