|
Cecília Abreu e Denise Almeida, JB Online RIO - O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ), Wadih Damous, disse nesta manhã que o assassinato de dois PMs na Rua Fonte da Saudade, na Lagoa, gera um clima de guerra entre policiais e bandidos. Segundo Damous, em uma guerra há dois lados, um disposto sempre a matar o outro. O presidente da OAB acrescentou que a polícia está mal equipada e mal preparada e ressaltou que quando critica a política de enfrentamento não está crucificando a corporação. Em entrevista à Radio CBN, na manhã desta quinta-feira, Damous destacou também que a PM do Rio é a que mais mata e a que mais morre no mundo. Para o presidente da OAB-RJ, é preciso baixar a voltagem, o que não significa voltar para os quartéis, cruzar os braços e abandonar a cidade. A proposta de Damous é investir em educação, saúde e integrar milhares de jovens que moram em comunidades. Além de políticas públicas, para o presidente da OAB-RJ, é preciso fortalecer as corregedorias e ouvidorias, e combater a corrupção. Retirada de postos fixos da Polícia é um dilema para a corporação Para a Cientista social e coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, o Cesec-UCAM, Silvia Ramos esse é um crime que precisa ser investigado, por sua gravidade e que a polícia enfrenta um grande dilema no combate a marginalidade. - A polícia pensa em remover as cabines de policia, pois acham que aquela cabine deixa o soldado imobilizado, ou seja, um alvo muito fácil para os criminosos. Mas ao mesmo tempo, é muito difícil tirar esses postos fixos. Diante disso, a polícia acaba enfrentando um dilema, pois moradores se sentem mais seguros com a constante presença do policial em cabines e no entanto eles ficam mais expostos, pois os bandidos sabem que ali tem alguém da corporação – afirma Silvia Ramos.
A cientista social considera fundamental que o governo identifique quais são os problemas da segurança pública da cidade e como eles serão resolvidos. Ela defende ações mais consistentes e transparentes do que o que já foi feito até o momento.
- Está na hora do governo dizer quais são os planos sobre a política de segurança do Rio. O governo precisa esclarecer o real contingente de policiais nas ruas, e o que vai ser feito. Existem muitos policiais nas ruas ou poucos? Caso o quantitativo atual esteja insuficiente, haverá mais concurso público? Como vai ser o preparo desses policiais? Haverá uma constante reciclagem, aulas práticas e teóricas para todos? É preciso ter mais transparência, até mesmo para se identificar os problemas e encontrar soluções - finaliza.
O caso Dois policiais militares foram metralhados e morreram no início da manhã desta quinta-feira por ocupantes de um Honda Civic. Segundo relatos de testemunhas, dois homens desceram do carro armados com fuzis e metralharam os PMs, que estavam na patrulha 543322, parados em frente ao número 197 da Rua Fonte da Saudade, na Lagoa, Zona Sul do Rio. As vítimas foram identificadas como sargento Joel de Almeida Gomes, de 40 anos e o cabo Francisco Alves Pereira Júnior, de 34 anos, lotados no 23º BPM (Leblon). Eles estavam dentro da patrulha e estariam dormindo quando foram alvejados, e não tiveram tempo de reagir. Segundo moradores, a patrulha da PM está no local há cerca de um mês e meio, desde que houve uma troca de tiros na Ladeira do Sacopã e um arrastão na mesma rua onde ocorreu o crime. A polícia vai pedir as imagens da câmera de segurança do prédio próximo ao local do crime para tentar identificar os criminosos.
|