Parentes de vítimas da violência querem fim do enfrentamento

JB Online

RIO - Mães e pais de jovens mortos pela polícia e de policiais mortos em serviço, entidades civis pela paz e contra a violência urbana, lideranças comunitárias e religiosas e oficiais da Polícia Militar dissidentes da atual orientação da Secretaria de Segurança Pública reuniram-se nesta quarta-feira na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ). O objetivo foi discutir formas de pressionar o governador Sérgio Cabral para que abandone a política de enfrentamento em prol da redução de vítimas de tiroteios, balas perdidas e do despreparo policial.

Os participantes debateram o Manifesto pela redução de mortes por arma de fogo e reforma das instituições policiais do Rio de Janeiro. Eles decidiram escolher um local público na cidade, à semelhança da Praça de Maio, onde as mães das vítimas da ditadura na Argentina se reuniam, para instalar um mural onde possam denunciar - e cobrar das autoridades - os números da violência no Rio.

De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública, apenas nos primeiros quatro meses de 2008 já morreram de forma violenta 2.030 pessoas. Para o representante do movimento Rio de Paz, Antonio Carlos Costa, ninguém agüenta mais ver cariocas morrendo todos os dias, e que é preciso usar as armas do bom senso e do diálogo para mudar essa política de segurança.

O presidente da OAB/RJ, Wadih Damous, que abriu a reunião, disse que a sociedade está indignada com as tragédias provocadas pela política de enfrentamento, a mais recente, a morte do administrador Luiz Carlos Soares, atingido por tiros de PMs no próprio carro. Damous disse que chegou-se a um ponto de, se acontecer a alguém ser vítima de um seqüestro, ter que torcer para que a polícia não apareça. Porque se aparecer, de acordo com a noção de segurança pública do secretário Beltrame, todos serão metralhados. Para Damous é inaceitável o comportamento das autoridades de segurança pública do Rio de Janeiro.

Participaram do encontro os movimentos Rio de Paz,Viva Rio, Mães do Rio, Gabriela Sou da Paz, Rede das Comunidades e Movimento Contra a Violência, Federação das Favelas, Reage Baixada, Mães de Acari, o presidente do Conselho de Pastores do Rio de Janeiro, Marcos Gregório; o grupo denominado "Barbonos", de coronéis da Polícia Militar, o ex-comandante da PM Ubiratan Ângelo,entre outros.

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[ 09:38 ]   17/07/2008