Inusitado concerto encerra Festival de Inverno de Petrópolis

Monique Cardoso, Jornal do Brasil

RIO - A programação do Festival de Inverno de Petrópolis, que se encerra no domingo, além de shows dos melhores artistas da MPB, reúne uma série de bons concertos de música clássica, nos históricos cenários da região serrana. Para o último dia, porém, nada do silêncio e da formalidade dos teatros de arquitetura imperial. No domingo, às 10h, a Cyclophonica, orquestra de câmara em que os músicos tocam seus instrumentos enquanto andam de bicicleta, reúne, na Praça Dom Pedro II, outros instrumentistas da cidade e público em geral para o Passeio Ciclístico Musical de Petrópolis. No repertório, obras de Villa-Lobos, Piazolla, Luiz Gonzaga, Ravel, além de improvisos e temas étnicos e sons da natureza. O público pode seguir o cortejo e ganha até apitos e instrumentos inusitados para acompanhar o concerto. Mas será que vai dar certo?

- A gente vai saber pelos que caírem pelo meio do caminho! - brinca o oboísta Leonardo Fuks, professor de acústica musical da UFRJ e líder da orquestra.

Depois dos ensaios na concentração, o passeio sai às 11h da Praça Dom Pedro II, segue pela Avenida Koeller e contorna a Praça da Liberdade. Durante o percurso, os oito músicos tocam instrumentos inusitados, como um sheng, um órgão de boca chinês com 17 tubos com mais de 2000, uma escaleta, buzinas de bicicletas de diversos tipos, uma flauta escandinava e até um oboé feito de filme plástico, tambores, triângulos e reco-recos.

- A idéia é interagir com o trajeto, criar uma paisagem sonora, uma vez que a música acompanha o desenho do chão. Como uma agulha, o paralepípedo nos dará um som.

Criada há quase 10 anos, a Cyclophonica conta com nove artistas, entre músicos de orquestra, professores, cantores, regentes, artistas plásticos, compositores e até um engenheiro. Os integrantes têm de manter a forma, para estar com o fôlego em dia. Fuks garante que não é nada impossível pedalar e tocar um instrumento ao mesmo tempo. - É como andar de bicicleta!

A inusitada orquestra já realizou espetáculos em diversas cidades brasileiras e costuma participar de diversos festivais de música contemporânea. No Rio, suas aparições na orla, do Flamengo à Ipanema, encanta os cariocas.

- Sempre recebemos pedidos de gente que quer entrar para o grupo. Quando temos alguma apresentação na cidade, não é raro aparecer cilistas, com seus instrumentos. Vem ensaiados de casa! conta o músico.

Fuks atesta que, mesmo em movimento, ninguém perde a afinação:

- Quando se toca em grupo, duas coisas básicas são a sincronia e a sintonia. É o que buscamos. Desenvolvemos uma maneira de nos escutarmos ao ar livre, conseguimos nos entender. O som em movimento ganha outra dimensão.

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[ 16:14 ]   12/07/2008