'Em nenhum momento me senti ameaçado', diz Nelsinho Piquet

Marina Fusaro, JB Online

RIO - Em seu primeiro ano como piloto oficial da equipe Renault na F1, o brasileiro Nelsinho Piquet foi muito criticado pela imprensa nos primeiros GPs, quando chegou a ser noticiado que ele poderia não chegar ao final da temporada na equipe. O jovem piloto procurou não se importar com as cobranças e seguiu trabalhando para melhorar seu desempenho. Quando começou a correr nas pistas conhecidas, tudo melhorou e os primeiros pontos vieram.

Em entrevista concedida ao JB Online por e-mail, Nelsinho diz que o início não foi fácil, que precisava se adaptar à rotina da categoria, mas superou bem as críticas e não chegou a se sentir ameaçado. Piquet diz ainda considerar uma vantagem o fato de já ter passado por outras categorias e fala sobre a frustração com o Grande Prêmio da Inglaterra, disputado no último domingo.

JB Online – No início da temporada, você foi criticado e diziam até que não chegaria até o fim da temporada na Renault. Como se sentiu naquele momento?

NP - Para ser sincero, estava mais preocupado em aprender, em ganhar experiência. A Renault confia no meu trabalho, no meu potencial. É claro que houve cobranças em relação a resultado, o que é normal na categoria, mas em nenhum momento me senti ameaçado, até porque não é assim que as coisas funcionam na F1. As pessoas falam demais.

JB Online – Mesmo com as críticas você acreditava que iria superar o momento ruim?

NP - Sempre soube que sim, conheço minha capacidade, fui bem em todas as categorias que disputei na minha carreira. No começo tudo é novidade, é preciso se adaptar à rotina da categoria, a circuitos desconhecidos, ao carro. Não é fácil. Aprendi muito nesse início de temporada, o carro evoluiu bastante e tenho certeza que o resto do ano vai ser bom para nós.

JB Online – Você sabia que quando chegassem as provas da Europa as coisas melhorariam para você. Isso ajudou a passar pelo início complicado?

NP - Para mim, é muito bom correr na Europa, já que conheço os circuitos, nos quais andei em outras categorias. Isso é um diferencial enorme, porque posso usar no acerto do carro o tempo que gastaria para aprender os detalhes da pista. Em uma competição em que milésimos de segundo fazem muita diferença, toda e qualquer vantagem que eu tiver é muito importante.

JB Online – Como foi marcar os primeiros pontos na Fórmula 1 lá na França?

NP - Foi excelente. Foi a primeira vez que tudo correu sem problemas para mim, o carro e a estratégia da equipe funcionaram bem e pude realizar uma corrida consistente e competitiva. Também foi ótimo mostrar meu potencial e fazer jus à confiança que a Renault depositou em mim.

JB Online – E este GP da Inglaterra, como se sentiu quando saiu da corrida, estando em quarto?

NP - Fiquei muito desapontado, já que o carro estava muito bom e eu estava a caminho de um ótimo resultado, com chances até de pódio. Mas quando a chuva veio com muita força, a pista ficou alagada e era impossível controlar o carro, tanto nas curvas como nas retas. Mas houve também o lado positivo: o carro estava bom e mostramos o quão competitivos podemos ser.

JB Online - Qual a expectativa para o GP da Alemanha?

NP - São boas. Conheço o circuito e pelos testes que estamos realizando em Hockenheim esta semana, acredito que o carro estará competitivo. A exemplo de Magny-Cours e Silverstone, meu objetivo é lutar por pontos.

JB Online - Como é seu relacionamento com Alonso?

NP - Temos um bom relacionamento profissional, nos respeitamos e trabalhamos em parceria para alcançar os objetivos da Renault.

JB Online - O que você espera para esta segunda metade da temporada? Os brasileiros podem esperar mais pontos de Nelsinho até o final?

NP - Espero continuar evoluindo e aprendendo bastante. Minha meta será sempre conquistar pontos e vou trabalhar ao máximo para isso no restante da temporada.

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[ 11:53 ]   10/07/2008