|
Jornal do Brasil RIO - Assim como a saúde, a educação é citada como prioridade em todas as campanhas de todos os candidatos. Mas, na prática, pouca coisa muda. Patrícia Corsino, doutora em educação pela PUC e professora da UFRJ lamenta a falta de continuidade nos projetos a cada troca de gestor político. – Não sou eleitora do Cesar Maia, mas iniciativas boas como o investimento em salas de leitura e a verba para os professores comprarem livros deveriam ser mantidas – diz a professora, que também enaltece a gestão descentralizada das escolas, isso quando o diretor é um bom gestor. Mas as dificuldades a serem atacadas pelo próximo prefeito são muitas – e antigas. – Investir na formação do professor é primordial, assim como um plano de carreira que valorize o profissional. Quem consegue concluir um mestrado ou doutorado não fica dando aula para criança. O percentual de aumento concedido hoje para quem se aperfeiçoa não motiva ninguém a continuar. Cansaço é um problema Obrigados a fazer dupla jornada para reforçar o salário, os professores da rede de ensino carioca chegam ao final do dia exaustos de tanto trabalho. – Quem consegue preparar uma aula ou fazer um curso à noite, tendo encarado duas turmas diferentes de crianças de 6, 7 anos de manhã e à tarde – pergunta. Creches terceirizadas Outro problema apontado por Patrícia está nas creches do município. Como muitos educadores acham o salário desvantajoso, a saída foi a terceirização e aí entram as ONGs, que pagam pouco e não dão estabilidade. – Não há exigência maior de formação. Na maioria das vezes, os professores têm ensino médio ou no máximo escola normal. Isso tudo se reflete na qualidade da educação ministrada. Essa é uma questão que precisa ser resolvida. O horário integral, sonhado por muitos – especialmente pelo antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997), criador dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), no governo de Leonel Brizola (1922-2004) – hoje é uma raridade no Rio. – O pior é que há uma demanda tanto entre as crianças pequenas quanto entre os adolescentes – constata Patrícia. A distribuição das escolas, com o crescimento desordenado das favelas e ocupações, é mais um empecilho. – A criança tem que estudar perto de casa. Um trabalhador não pode gastar com passagem para levar e buscar o filho no colégio. Também faltam creches nas comunidades mais recentes. Patrícia acha que, junto a melhor distribuição dos estabelecimentos de ensino, deve vir a contratação de mais professores. – Isso diminuiria o número daqueles que fazem dupla jornada. Reciclagem contextualizada A reciclagem, segundo ela, deve acompanhar uma realidade cada vez mais presente: – O professor deve estar preparado academicamente para lidar com crianças que vivem em situações permanentes de risco nos lugares onde moram, em clima de guerra mesmo.
|