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Cláudia Dantas, Jornal do Brasil RIO - Educação pesa no bolso da classe média, que paga caro para oferecer ensino de qualidade aos filhos. Os gastos com o ensino privado chegam a representar, em média, 9,11% do orçamento das famílias brasileiras, de acordo com estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). De acordo com cálculos do JB, os pais têm um gasto mínimo, em média, de R$ 124 mil apenas com o pagamento de mensalidades durante os nove anos do ensino fundamental (dos 6 aos 14 anos) dos filhos. Isto, se o índice de inflação fosse zero durante o período e não houvesse um reajuste anual de preços. O cálculo tomou como base o custo médio de três tradicionais escolas do Rio e não incluiu cursos extras, como os de línguas estrangeiras. Em três anos de pré-escolar, o somatório da média das mensalidades a serem pagas supera o valor de um carro popular, quase R$ 33 mil. No ensino médio, com o mesmo período de anos, o desembolso chega a R$ 41 mil. No entanto, os gastos com colégios particulares, além dos extras – como cursos de idiomas, atividades físicas, entre outros – não impedem que os pais apertem o cinto. O professor e economista Salomão Quadros, da Fundação Getúlio Vargas, ensina que o caminho é olhar os gastos como investimento e não como despesa. – Dar uma boa educação é ter uma visão de longo prazo. Vale abdicar de um bem-estar imediato para aumentar as chances profissionais do filho no futuro – sustenta o professor. Segundo Quadros, a saída é entender qual a prioridade. Os pais precisam reconhecer se os filhos têm potencial e convicção para enfrentar o desafio do ensino de excelência oferecido pelos colégios tradicionais. – Porque trata-se de uma despesa que nunca se esgota – diz. No estudo da FGV, voltado para conhecer o panorama das escolas particulares brasileiras, o professor Quadros identificou que só os gastos com as mensalidades escolares particulares representam 7,22% dos 9,11% do orçamento familiar consumidos com a educação do filho. Os outros 1,89% são direcionados para cursos extras-curriculares, material didático, entre outros itens. Segundo Salomão Quadros, as famílias chegam a consumir 47,83% do orçamento familiar com o ensino superior. O professor Marcelo Néri, do Centro de Políticas Sociais, também desenvolveu estudo similar e identificou que, na média nacional, o custo das universidades particulares representam quase o dobro do investimento do ensino fundamental. De R$ 166,76 pula para R$ 324,95. Néri concorda com o colega. Ainda que os custos sejam pesados para a classe média, “o investimento faz diferença no resultado final, no mercado de trabalho”. – O salário sai de R$ 600 para R$ 1.700 para quem tem nível superior – ressalta Néri. No tradicional Colégio São Bento, no Centro do Rio, os pais chegam a pagar R$ 1.600 por mês nos primeiros anos do ensino fundamental só para homens. Reconhecido pelo ensino de excelência, o colégio foi eleito o melhor no Brasil pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Aprendem inglês, espanhol e francês, têm aulas de laboratório, além de uma orientação assistida para quem estuda em tempo integral na escola. – O ensino daqui assemelha-se muito aos de outros bons colégios: boas salas de aula, bons professores, condições para os alunos – destaca Dom Tadeu Lopes, reitor do Colégio São Bento. No Saint John, na Barra da Tijuca, a diretora pedagógica Diana Alencar conta que o diferencial da escola, que hoje atende em torno de mil alunos e cobra uma mensalidade média de R$ 850, é acrescentar às aulas lições de cidadania que permitem à criança ganhar autonomia tanto moral quanto intelectual no decorrer dos anos. – Os pais precisam procurar saber qual é a metodologia de trabalho da escola, se o filho não vai corresponder às expectativas, não vale a pena investir – aconselha Diana. Outra escola tradicional do Rio, em quinto lugar no Enem, o Colégio Santo Inácio também aposta na formação ética e da valorização humana dos alunos. Os pais desembolsam por mês, em média, R$ 1 mil no ensino fundamental. Mas a boa notícia é que, quando a situação aperta, os pais podem recorrer à negociação, os colégios dão abertura para discutir valores. – A escola, acima de tudo, é uma empresa, mas sempre há espaço para negociar – assinala Diana. Classe média corta supérfluos Sempre com o orçamento apertado, o dilema das famílias de classe média está em optar pelo melhor ensino para os filhos – e isto inclui gastos com livros, transporte, cursos extras – ou atender aos apelos deles com roupas, viagens e outros caprichos. Mas a grande maioria concorda que vale a pena o sacrifício e que o ensino de excelência garante um futuro profissional melhor. É o caso da família Pompeo, cujo extremo controle orçamentário sempre privilegiou o investimento em um ensino de qualidade para os dois filhos. Os irmãos Cintia e Hugo, de 20 e 16 anos, respectivamente, passaram toda a vida escolar no tradicional Saint John, na Barra. A mãe Cristina, de 48 anos, que hoje faz transporte escolar para aumentar a renda, não se arrepende de ter abdicado de viagens e excursões com toda a família para pagar o colégio particular das crianças. A mensalidade do caçula está em torno de R$ 900. Hugo cursa o segundo ano do ensino médio. A mãe ainda gasta por volta de R$ 300 anuais com apostilas, uma opção da escola para baratear os custos. A mais velha estuda comunicação social na Faculdade Hélio Alonso (Facha) e custa para a família em torno de R$ 600 mensais. – Como depende dos créditos, o curso da Cintia é um pouco mais barato. Imagine se ela cursasse Medicina ou Direito, cadeiras que exigem um gasto excessivo com livros – pondera a mãe. Na família Guerreiro Pizarro, a prioridade é a mesma, porém é importante também “pesquisar a qualidade da escola, porque nem toda a escola particular é boa”, analisam os pais. A pequena Leonor, de dois anos e meio, está na creche O Começo do Caminho, em Botafogo, e o preço para mantê-la em período integral é de R$ 850. O mais velho, Eduardo Guerreiro, de 12 anos, curso o sétimo ano do ensino fundamental no Colégio Franco-Brasileiro. A mensalidade é R$ 860, que inclui aulas de inglês e francês. – A creche da Leonor é uma das mais baratas, a média é R$ 1.200. Mas eu ainda pago em torno de R$ 200 com transporte para trazê-la para casa – destaca a jornalista Cláudia Guerreiro, de 39 anos. Nos cálculos de Rui (o pai) e Cláudia, “as despesas com educação representam de 15% a 20% do orçamento mensal, mas valem a pena”, garantem.
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