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SÃO PAULO, 2 de julho de 2008 - A indústria da construção civil viu a inflação medida pelo Índice Nacional da Construção Civil (INCC) crescer 142,73% na passagem de maio para junho, refletindo principalmente o reajuste de salário dos trabalhadores do setor. Por outro lado, a aceleração do componente do Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), não assusta o setor, já que demonstra um comportamento natural do mercado aquecido.
"A variação positiva do item mão-de-obra representa o reajuste salarial de algumas categorias profissionais em vários estados, e deverá sumir nos próximos meses. Já o aumento dos preços de materiais se devem a demanda aquecida", avalia o presidente Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), João Claudio Robusti.
O executivo defende que os trabalhadores da construção precisam ser valorizados e ter seu reconhecimento pago. Ele adimite que as empresas devem investir em capacitação profissional para evitar que os mais preparados exijam altos salários, o que poderia onerar o setor. "O aumento do custo com a mão-de-obra é normal e deve ser olhado de forma positiva", disse. De acordo com a FGV, houve reajuste de salários em junho nas cidades de Brasília, Fortaleza, Goiânia, Florianópolis e São Paulo.
Para Robusti, a preocupação real dos empresário deve se concentrar na ampliação do parque industrial. "Há uma pressão para ampliar a capacidade de produção de setor. Desta maneira, as indústrias poderiam lucrar mais com o aumento de produção, ao invés de elevar os preços por conta da escassez de oferta. A indústria deve ganhar com o aumento de produtividade e não com a alta de preços", reforça.
O INCC saltou de 1,1% em maio para 2,67% em junho, sendo que as despesas com Mão-de-Obra subiram de 0,96% para 3,75%. Já o grupo Materiais avançou de 1,42% para 1,70%. No grupo Serviços, houve elevação de 0,25%, em maio, para 1,85% em junho.
(Vanessa Stecanella - InvestNews)
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