Novo episódio de violência na boate Baronneti divide opiniões

JB Online

Carla Knoplech e Hugo Cals

RIO - O último acidente acontecido na boate Baronneti, em Ipanema, na última sexta-feira, quando o estudante Daniel Duque, de 18 anos, foi baleado por um policial militar que estava fazendo a segurança de um freqüentador na saída da boate aumentou a lista de conflitos envolvendo a boate mais famosa da Zona Sul do Rio de Janeiro.

Algumas questões foram levantadas como o porquê, apesar do histórico violento, a boate vive cheia. Também trouxe à tona a necessidade de saber se a Baronneti é mesmo uma das boates mais violentas da cidade ou se as confusões ocorridas lá são mais noticiadas pela mídia, tirando o foco de outras casas noturnas que também passam pelo mesmo problema.

Para responder essas questões e trazer informações de quem realmente conhece o lugar reunimos os depoimentos de alguns estudantes que, de alguma maneira, estão envolvidos com a boate.

A estudante de Hotelaria Débora Ferreira, de 22 anos, costuma ir à boate Baronneti duas vezes por mês, ela ficou chocada com a morte do estudante de 18 anos no último final de semana e diz sempre ver brigas na boate.

- Sempre tem briga de bêbado, um segurança correndo, ou confusão. Eles seguram a fila demais na porta e lá tem muito mauricinho, já vi até briga começar dentro da boate e acabar na parte de fora. Também vou muito à Nuth, na Barra, e lá não vejo briga. Na entrada vejo a revista das bolsas das mulheres e se há porte de arma dos homens, e posso dizer que apesar de tudo lá está sempre lotado, nem eu sei porque continuo indo – brinca a estudante.

O estudante de Administração Pedro Pereira, de 23 anos, também freqüenta a boate e possui uma opinião diferente, ele que há um ano costuma ir até três vezes por mês à Baronetti só viu briga acontecer por lá uma vez.

- A briga que vi começou com um cara jogando um copo de cerveja no outro, o segurança veio e a confusão de formou, mas não é uma constante. Para a boate que é não sei porque sempre está cheio, ficamos na fila, com sorte, meia hora. Na verdade todas essas boates abrigam o mesmo público, não sei se tive sorte, mas sempre vejo o mesmo público e raras confusões.

No entanto não é o que pensa o estudante do curso de Geografia da UFF, Rafael Leporage, de 21 anos. Apesar de ser morador do Leme, o estudante afirmou que não costuma ir muito a boate, somente quando amigos comemoram aniversário no local. Segundo ele, confusões na boate são mais freqüentes do que em outros locais.

- Eu acho que em um local pequeno e lotado, a combinação de excesso de álcool e concentração de 'pit-boy' nunca vai acabar bem. Na Baronneti, sempre tem alguém querendo provar que é mais homem do que o outro.

Quem faz coro a opinião do estudante, é o aluno do curso de direito da Cândido Mendes, Carlos Magno Cerqueira. Ele conta que vai a Baronetti cerca de duas vezes por mês, e apesar de achar que a violência está em todo lugar, na boate, as confusões são muito freqüentes.

- Não acho que a violência na “night” exista só na Baronetti, mas com certeza vejo mais confusões lá do que em outras boates. Eu acho que lá tem muito mais “bombado” (gíria para usuário de anabolizantes), e por isso mais brigas.

Resta saber se após este caso de violência grave, ocorrido em frente a boate, a popularidade da casa noturna ficará comprometida por que mesmo quando foi palco de brigas e confusões em seu interior ou na sua entrada anteriormente, a boate continuou lotando na semana seguinte. É preciso que haja uma conscientização dos produtores de casas noturnas para que esta onda de violência, que vem assolando freqüentadores de boate, seja contida. O JB Online tentou contatar os sócios da boate, mas os mesmo não foram encontrados.

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[ 20:42 ]   30/06/2008