Brasil terá caravana do desarmamento

Portal Terra

BRASÍLIA - A Polícia Federal, por meio do Ministério da Justiça, deve firmar convênios e criar a caravana do desarmamento para recolher armas em pontos isolados do Brasil.

- A idéia é ir um pessoal e ficar na cidade por um ou dois dias só para receber essas armas e facilitar a vida da população - diz o delegado Marcus Vinicius da Silva Dantas, da Divisão de Repressão ao Tráfico Ilícito de Armas, da Polícia Federal, em Brasília. Algo semelhante foi criado na primeira etapa da campanha, em 2003, e, segundo Dantas, obteve bons resultados.

- Esses detalhes ainda estão sendo definidos em reuniões. Acredito que o Exército, a Polícia Civil, algumas ONGs (Organizações Não-Governamentais) e até igrejas que já foram nossas parceiras anteriormente façam parte do convênio para facilitar a vida do pessoal - afirma o delegado. Sem traçar metas, a PF acredita que o balanço possa ser positivo. Quem optar por ir até uma delegacia, precisa requisitar antes uma guia de trânsito. Só com ela é possível andar armado temporariamente.

Na primeira etapa da campanha, após 2003, a expectativa era receber, no máximo, 100 mil armas. O quadro fechou com cerca de 480 mil. Mas, por outro lado, os órgãos oficiais conseguiram registrar menos de 2% das armas ilegais no País. Por isso, este é o foco a partir de agora: chegar nas comunidades distantes do Brasil.

- É simples. Vai o pessoal da ONG que trabalharia junto com os policiais no recolhimento das armas -

Se o dono quiser registrá-la será possível. Se optar pela entrega, o processo será simplificado. As mais de 480 mil armas apreendidas na primeira etapa já desapareceram.

- Todo esse material já foi destruído em um forno que o Exército utilizou - diz o delegado, frisando que a destruição com um trator é apenas simbólica. Para Dantas, a população precisa entender que manter uma arma em casa é uma falsa sensação de segurança.

- As pessoas não são treinadas para manusear a arma e não sabem se defender e, geralmente, ainda são pegas de surpresa pelos bandidos. Por isso, vemos muitos casos de ladrões que roubam as armas das famílias e ainda atiram nos donos com o próprio revólver - afirma o delegado da PF.

Até com essa linha de pensamento, a PF tenta convencer os donos de armas e entregar com a proposta de remuneração. Pela lei, a arma pode ser entregue voluntariamente pelo dono, que receberá uma indenização entre R$ 100 e R$ 300, conforme o calibre. Na primeira etapa, a maior parte do material foi de revólveres calibre 32 e 38, além de espingardas cartucheiras.

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[ 16:16 ]   29/06/2008