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JB Online NOVA YORK - As milícias que assumem o controle das favelas ameaçam o Rio de Janeiro, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira pelo jornal americano New York Times, intitulada "Milícias substituem gangues como reis do crime no Rio". A reportagem cita o caso da jornalista, do fotógrafo e do motorista do jornal O Dia seqüestrados e torturados por membros da milícia que controla a favela do Batan, em Realengo, Zona Oeste da cidade, quando realizavam uma reportagem sobre mercados paralelos ilegais nas favelas. - O Brasil é um país que passa por um boom econômico que está tirando milhões de pessoas da pobreza. Mas no Rio, o incidente, que veio à tona em uma série de artigos publicados pelo jornal O Dia, se tornou um proeminente sinal das pressões nesta cidade, contaminada pela violência e por uma força policial notoriamente corrupta - diz o o periódico americano. Segundo o New York Times, os baixos salários acabam levando policiais, bombeiros e funcionários de prisões a formar as milícias, enquanto mantêm seu trabalho regular. O texto ainda discorre sobre o crescimento econômico do país e em paralelo a proliferação das favelas. Junto a esse crescimento desordenado das comundiades, surgem as milícias, uma vez que a polícia está ocupada combatendo traficantes. - As milícias preencheram um vácuo de autoridade prometendo aos moradores segurança em troca de pagamentos. Ao mesmo tempo, eles tomam para si uma série de empresas ilegais: o controle do suprimento de água e gás natural, de máquinas de apostas, a divisão de conexões de TV a cabo e, em muitos casos, a venda de drogas. Mas o jornal afirma que, para muitas das comunidades, as milícias são o mal menor, e cita o chefe do Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas, que combate o crime organizado no Rio), Cláudio Ferraz, para quem as milícias ganham a simpatia das comunidades por expulsar os traficantes. - As milícias, estimadas entre 60 e 100, têm conexões poderosas e freqüentemente estão ligadas não apenas à força policial da cidade, mas também a políticos que oferecem um porto seguro em troca da garantia de votos ou dinheiro dos moradores - afirma a reportagem, que cita casos como do vereador Jerônimo Guimarães Filho, preso em dezembro acusado de formação de milícia, e do deputado e ex-chefe de polícia do Rio Álvaro Lins, acusado de ajudar na formação de grupos armados. A polícia tem medo de agir contra as milícias por causa das violentas represálias, diz o jornal, e mesmo os jornalistas seqüestrados e torturados mantiveram seu nome em sigilo, numa tentativa de evitar atos de vingança. Uma moradora disse que as condições de vida haviam melhorado desde a chegada da milícia na comunidade. Para outro morador a preocupação maior vem assim que o caso do Jornal O Dia perca sua notoriedade. Segundo ele, quando a polícia deixar o local, gangues de traficantes podem voltar a invadir a favela, reiniciando o ciclo de violência. - Durante uma visita na semana passada, tudo estava quieto em Batan, mas os nervos ainda estavam em frangalhos. Uma forte presença policial era visível por toda a favela, com patrulhas circulando de poucos em poucos minutos. Os moradores disseram não acreditar que isso duraria muito - diz o texto. - Vai ser um inferno. Agora estamos nas mãos de Deus - disse o morador ao NYT.
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