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João Derly sonha com medalha para o judô, de preferência ouro.

Carla Knoplech, JB Online

RIO - O judoca João Derly irá para as Olimpíadas de Pequim tentando o ouro para o Brasil e está confiante. Ele, que foi o primeiro brasileiro da modalidade a conquistar uma medalha de ouro em um campeonato mundial da categoria principal, teve o feito alcançado no Campeonato Mundial de Judô de 2005, na cidade do Cairo.

Antes dessa medalha, o lugar mais alto que o Brasil havia conquistado no pódio, em campeonatos mundiais, foi o duplo vice-campeonato com o maior campeão do continente americano de todos os tempos, eleito pela União Panamericana de Judô (UPJ), o campeão olímpico em Seul - 1988, Aurélio Miguel.

Em 15 de setembro de 2007, sagrou-se bicampeão mundial durante o 25º Campeonato Mundial realizado no Rio de Janeiro, ao derrotar o cubano Yordanes Arencibia, faltando pouco tempo para a disputa no outro lado do mundo o judoca conta um pouco do quanto caminhou para chegar até aqui.

JB ONLINE - Como você se sente tendo levando a medalha de ouro em um campeonato mundial da categoria principal? O que mudou na sua carreira depois disso?

DERLY - Muito feliz. Minha carreira mudou totalmente. Depois de 2005, quando conquistei o Mundial pela primeira vez, finalmente consegui patrocinadores, assim pude treinar em paz. Além disso, ganhei muita projeção e, com isso, veio a responsabilidade e a pressão. Passei a ser reconhecido nas ruas e isso me motiva. Sei que sou exemplo para muita gente, principalmente crianças, então tenho que dar o meu melhor sempre.

JB ONLINE - No ano passado você conquistou o bicampeonato mundial, e agora, quais são os seus objetivos reais para as Olimpíadas?

DERLY - Vou entrar no tatame e dar tudo de mim para conseguir uma medalha olímpica, que é a única grande conquista que não tenho no judô. Tomara que seja de ouro.

JB ONLINE - Qual o tipo de preparação especial que você faz quando começa a chegar perto de campeonatos como as Olimpíadas?

DERLY - Como já estou garantido em Pequim desde o ano passado, faço uma preparação mais especial. Ultimamente, sofri um pouco com lesões no ombro e agora no tornozelo, por isso, tenho cuidado mais da parte física. Mas procuro manter a concentração sempre antes de um grande campeonato. E esses serão os meus primeiros Jogos Olímpicos.

JB ONLINE - Você sempre quis ser judoca? Do que teve de abdicar da vida pessoal para alcançar tudo que alcançou?

DERLY - Não, comecei no judô por acaso. Tinha asma e o médico mandou eu fazer algum esporte. Entre natação e judô, escolhi o judô. Isso foi quando eu tinha 7 anos. Sempre há alguma renúncia. Passo boa parte do ano viajando, longe de familiares e amigos queridos, não posso estudar, fazer alguma faculdade... Mas isso são coisas da vida. Daqui a uns anos minha carreira termina e terei todo tempo do mundo pra me dedicar a minha vida pessoal.

JB ONLINE - Você é muito autocrítico? Quem é o seu ídolo do esporte e fora dele?

DERLY - Sim, sou. Sempre acredito que é possível melhorar. Aurélio Miguel é meu grande ídolo no esporte. Inspirei-me muito nele pra construir minha carreira. Fora do esporte, são meus pais. Eles fizeram muitos sacrifícios para me criar e educar. São meus grandes exemplos para a vida.

JB ONLINE - Para um atleta, o que diferencia o tratamento que ele recebe num PAN e nas Olimpíadas?

DERLY - Os Jogos Olímpicos são uma competição muito maior do que o Pan. Tenho que ralar muito mais para ser campeão num evento mundial do que num continental.

JB ONLINE - Você tem simpatias antes de entrar para a luta? É religioso?

DERLY - Rezo sempre antes de lutar. Sim, vou à igreja todo domingo aqui em Porto Alegre. Sou evangélico.

JB ONLINE - Você já teve idéia de seguir outra carreira, qual?

DERLY - Gosto muito de bichos. De repente ainda faço vestibular para Medicina Veterinária, é uma ourta carreira na qual me imagino.

JB ONLINE - De que maneira o judô contribui para um corpo saudável?

DERLY - Judô é um esporte e todo esporte contribui para uma vida saudável. Não apenas combatendo o sedentarismo, mas também afastando de más influências. Tenho um projeto social aqui no sul com 150 crianças de escolas públicas. Meu objetivo é passar uma coisa boa para elas e, assim, afastá-las de perigos sempre presentes na cidade grande, como violência e drogas. Para participar, elas têm que mostrar o boletim com notas boas. Dessa forma, a "gurizada", além de se esforçar no tatame, tem que provar que estuda também. Além disso, o judô tem toda uma filosofia por trás, que, se seguida, proporciona uma vida muito boa.

JB ONLINE - Há aspectos ruins que a prática de judô traga?

DERLY - Não.

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