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Júlia Moura, JB Online RIO - A criação da CPI das Milícias será votada em plenário, na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na próxima terça-feira, dia 10 de junho, e precisa de 36 votos para ser criada. O objetivo é apurar a atuação dos grupos criminosos que expulsam traficantes de favelas e cobram por segurança e outros serviços. Se for instaurada, a CPI terá como presidente o deputado Marcelo Freixo (PSol), autor do projeto, e como relator, o deputado Gilberto Palmares (PT). O caso de tortura praticada por milicianos contra uma equipe de reportagem do jornal 'O Dia' e um morador da Favela do Batan, em Realengo, no último dia 14, influenciou na decisão da Alerj, já que a proposta estava arquivada desde fevereiro de 2006. Segundo o presidente da Alerj, Jorge Picciani, a solicitação desta CPI - que objetiva investigar a ação de milícias no Estado - ganhou força pelo fato de um policial civil ser apontado como chefe de um grupo paramilitar. - Não tem limite a apuração. Doa a quem doer, bata na porta de quem bater. Tem que ter uma resposta dura – afirmou Picciani. A Delegacia de Repressão a Ações criminosas e Inquéritos Especiais (Draco), que investiga os crimes ligados à milícia, ficará responsável por passar as informações aos membros da CPI. - Espero que o delegado da Draco não tenha dúvidas do perfil ético de cada membro da CPI. Gosto do trabalho do delegado Cláudio Ferraz. Não é papel da CPI substituir as investigações policiais. Os poderes são distintos e devem ser complementados. Dessa vez eu não temo ser derrotado no Plenário - comentou Freixo. O presidente da Alerj, Jorge Picciani, aprova a iniciativa e disse que a CPI poderá facilitar as investigações policiais. - A CPI tem poderes mais amplos que a polícia porque vai mais longe. A CPI prepara inquérito e tem poder (semelhante ao) judiciário para a quebra de sigilos - concluiu Picciani. Parlamentar é suspeito de envolvimento O delegado Cláudio Ferraz, da Draco, afirmou na última quarta-feira que um dos jornalistas mantidos reféns e torturados na Favela do Batan, em Realengo, Zona Oeste do Rio, teria reconhecido a voz de um dos assessores do deputado coronel Jairo durante a sessão de tortura, que durou mais de 7 horas. O deputado negou a acusação e afirmou que repudia a ação das milícias. O presidente da Alerj afirmou durante a entrevista coletiva, realizada nesta quinta-feira, que acredita que o delegado não esteja envolvido com as milícias e que acredita que não sejam encontradas provas incriminando o deputado. - Não tem nada provado e eu em particular não acredito. Conheço o coronel Jairo, convivo com ele e não acredito, não vai ficar provado - disse Picciani.
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