IBGE: Rio e Volta Redonda lideram ranking da poluição no estado

JB Online

RIO - Os municípios do Rio de Janeiro e de Volta Redonda possuem o maior potencial poluidor do estado, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com base em dados de 2003 sobre número de empregados de cada unidade produtiva, a estimativa do órgão traçou os municípios com maior emissão industrial de poluentes atmosféricos e verificou quais são os tipos de indústrias com maior capacidade de poluir o ar. Levantamento realizada pela primeira vez pelo IBGE.

Os resultados indicaram que poucas divisões industriais – refino de petróleo, minerais não-metálicos e metalurgia - concentram a maior parte das emissões potenciais de poluentes e que, dentro desses segmentos, um número reduzido de unidades produtoras responde pela quase totalidade do potencial poluidor.

O potencial de poluição industrial do ar também é concentrado em poucos municípios: Rio de Janeiro, Duque de Caxias e Volta Redonda, na emissão de dióxido de enxofre (SO2 ), e Rio de Janeiro, Volta Redonda e Cantagalo, em relação aos particulados finos (PM10), substâncias que causam danos à saúde respiratória e ao meio ambiente. Somando-se os potenciais para os dois poluentes, Rio de Janeiro e Volta Redonda lideram o ranking.

Isso significa que os maiores potenciais de poluição do ar por indústrias estão na região metropolitana do Rio de Janeiro e no médio Paraíba do Sul. De acordo com o IBGE, a identificação da localização e da concentração dessa poluição em potencial pode facilitar o seu monitoramento e controle pelos órgãos ambientais.

Em 2003, foram identificadas no estado do Rio de Janeiro, segundo o Cadastro Central de Empresas (Cempre) e a Pesquisa Industrial Anual (PIA), ambos do IBGE, 21.891 unidades locais produtivas ligadas à indústria de transformação, que constituem o universo do estudo.

Maior potencial de poluição

Dentre os poluentes investigados, o SO2 tem o maior potencial de emissões pela indústria fluminese (83.115 toneladas por ano). Trata-se de um gás originado pela queima de combustíveis fósseis, sobretudo na indústria, e está associado a problemas respiratórios e à formação da chuva ácida.

O PM10 vem em segundo lugar (19.191 t/ano) no ranking de potencial de emissões no estado. São partículas sólidas ou líquidas muito finas, produzidas pela queima de combustíveis mais pesados, utilizados em processos industriais e nos veículos a diesel e que, em grande concentração, danificam o sistema respiratório

Na tabela a seguir, estão os resultados do potencial poluidor do ar para o conjunto das indústrias do estado do Rio de Janeiro, para todos os poluentes investigados1

Em relação ao SO2 , a metalurgia é a divisão de maior emissão potencial no estado (31%). Já a divisão de minerais não-metálicos (indústrias de material cerâmico, cimento, vidro, concreto e produtos de gesso) é a principal responsável pela emissão potencial de PM10 (participação de 59% no potencial emissor total no estado). Essa concentração em poucas divisões industriais é similar para o restante dos poluentes: minerais não-metálicos é a principal divisão em emissão potencial de PM10, PT e NO2 . Em relação às demais substâncias, as divisões majoritárias são metalurgia (SO2 , CO e metais tóxicos do ar), refino de petróleo (VOC) e química (tóxicos do ar).

Dentro dessas divisões industriais, poucas unidades locais (ULs) respondem pela quase totalidade das emissões potenciais. Por exemplo, nove ULs de minerais não-metálicos contribuem com 60% da emissão potencial de PM10 e seis ULs de metalurgia concentram 63% das emissões potenciais de SO2 .

Rio de Janeiro, Volta Redonda e Cantagalo respondem, juntos, por 64% do potencial de emissão industrial de PM10 no estado do Rio de Janeiro. Minerais não-metálicos, nos três municípios, e metalúrgica, no Rio de Janeiro e em Volta Redonda, são as divisões com maior contribuição para esse potencial poluidor.

[ 14:13 ]   03/06/2008