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Jaime Gonçalves Filho, JB Online RIO - A tortura sofrida por uma equipe de reportagem do jonal 'O Dia' por milicianos que contralam a favela do Batan, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, é um dos casos mais graves dos últimos anos, de acordo com a socióloga Silvia Ramos, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), da Universidade Candido Mendes. De acordo com a socióloga, a resposta do Governo do Estado deve ser exemplar, no sentido de punir e apresentar os responsáveis pelas agressões, a quem chamou de 'déspotas cruéis'. - É importante que o Governo não resuma a reação à prisão ou morte, na base do olho por olho. O mais importante é, sobretudo, sinalizar aos comandantes de batalhões e aos delegados que eles serão responsabilizados se seus comandados estiverem agindo em milícias em suas áreas – ressaltou. Para Silvia Ramos, além da prisão é necessária a apresentação dos acusados para a imprensa, praxe corriqueiro quando se trata da prisão de bandidos comuns. - É preciso mostrar à sociedade quem são essses déspotas cruéis e dizer que não há conivência. Por que só chamam a imprensa quando não são policiais? Esse é uma hábito que tem que acabar. A resposta da mídia Para os meios de comunicação, ela prossegue, o melhor a ser feito seria uma união para a realização de uma cobertura em pool, que empurrasse toda a impressa e os olhares da opinião pública para dentro da favela do Batan, palco da crueldade. - Esse caso não pode ser naturalizado, de maneira alguma. Seria perfeito que 'O Dia', o Jornal do Brasil, 'O Globo', o 'Fluminense' e todos outros veículos se unissem e colocassem uma equipe em uma casa dentro da favela, para dar prosseguimento a reportagem. Seria uma forma de mostrar que a impressa não foi e não será intimidada – propõe Silvia. A sugestão da socióloga lembra um caso ocorrido há 32 anos nos Estados Unidos. Em 1976, o jornalista Don Bolles foi assassinado após receber uma bomba no Arizona. Em um esforço para não passar a imagem de intimidação aos criminosos e para que o crime não fosse considerado apenas mais um, foi montada um equipe de 40 repórteres, de vários veículos, que viajaram à Phoenix para dar continuidade às investigações que motivaram a morte de Bolles. O resultado desse esforço, que ficou conhecido como Projeto Arizona, foi a produção de 23 matérias, publicadas nos jornais de todo o país. O caso é lembrado pelo diretor do Knight Center for Journalism in the Américas, da Universidade do Texas, Rosental Calmon Alves, no livro "Mídia e Violência – Novas tendências na cobertura de criminalidade e segurança pública", do qual Silvia Ramos é co-autora.
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