Sindicato dos Jornalistas: 'Vamos cobrar investigação exemplar'

JB Online

RIO - O presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio, Aziz Filho, informou ao JB Online que vai se reunir neste momento, em caráter de urgência, com membros do Sindicato. O jornalista afirmou que vai convocar representantes de outras instituições, entre elas a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ), a Ong Tortura Nunca Mais e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) para debater e tomar providências com relação ao caso.

- Vamos promover uma discussão entre diversas outras instituições. A OAB já se prontificou a lutar conosco. Queremos debater este caso tão grave. A sociedade e o Estado devem reagir duramente a esse episódio, porque não é um crime comum. É um crime bárbaro e com um agravante de que é um atentado à liberdade de informação, logo, da democracia – afirmou.

Segundo Aziz, a primeira providência a ser tomada é cobrar do Estado que o crime seja “investigado exemplarmente”.

- A única solução é o estado garantir a segurança da sociedade. A esta altura do campeonato, com a situação do Rio de Janeiro, o que falta mesmo é a polícia ser duplamente eficiente – completou.

Ele espera que toda imprensa se sensibilize e combata a ação das milícias, suas ações bem como qualquer prática de tortura.

- É um absurdo que criminosos como esses tentem intimidar a imprensa através da tortura. Esperamos que os veículos de comunicação façam reportagens mostrando o que realmente é a milícia e que elas não podem ser vistas como uma garantia de segurança, uma alternativa ao tráfico de drogas – afirmou.

Para Aziz, a tortura contra os jornalistas será como a bomba do Riocentro foi para a ditadura militar:

- Isso é uma bomba que vai estourar no colo e vai desmascarar e desmoralizar as milícias. Se esses grupos usam de tamanha truculência com jornalistas, imagina o que eles não fazem com pessoas humildes que moram na comunidade e não seguem as leis locais - finalizou.

O CASO

Uma equipe de reportagem do jornal O Dia, formada por repórter, fotógrafo e motorista, foi mantida como refém pela milícia que controla a favela do Batan, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, e barbaramente torturada durante mais de sete horas no dia 14 de maio deste ano.

De acordo com a reportagem, a equipe estava morando na comunidade há duas semanas, com o intuito de mostrar como vivem os moradores em um local dominado pela milícia, que controla uma rede que lucra com a venda de gás de cozinha, sinal pirata de TV à cabo, segurança forçada e curral eleitoral.

Através de uma denúncia, uma emboscada foi preparada para o grupo na noite do dia 14. convidados pelos moradores para tomar uma cerveja, motorista e fotógrafo foram rendidos e levados para a casa onde estava a jornalista. Segundo o jornal, 10 homens armados, que fizeram questão de se identificarem como policiais, torturaram a equipe com socos, pontapés, choques elétricos e sufocamento, além de sessões de roleta russa e tortura psicológica.

Somente mais de sete horas depois, os três foram libertados, não sem antes serem ameaçados de morte e tomarem conhecimento de que os torturadores os conheciam e poderiam encontra-los, caso apresentassem qualquer tipo de denúncia sobre o que aconteceu.

Em nota, o jornal O Dia afirmou que os funcionários estão em local seguro e bem de saúde e que o caso está sendo investigado pelo delegado Cláudio Ferraz, da Draco, e que o governador Sergio Cabral acompanha o desenrolar da história com total atenção.

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[ 20:38 ]   31/05/2008