|
Portal Terra SÃO PAULO - Cercado por índios armados com arcos, flechas e facões desde a noite de ontem, o servidor da Fundação Nacional do Índio (Funai), Arnor Gomes de Oliveira, disse sentir receio de que os índios possam levar adiante as ameaças de morte e agressão que fazem a todo o momento contra ele. Líderes indígenas também fazem outros dois funcionários da Funai reféns na reserva de Araribá, em Avaí, interior de São Paulo. - Eles fazem todos os tipos de ameaças, mas não posso crer que eles vão cumpri-la, senão não consigo continuar aqui - diz Arnor. Embora ainda pudesse, nesta manhã, atender ao telefone celular e fazer ligações para conversar com os chefes em Brasília, Oliveira confessou que pensa em outras possibilidades para disfarçar a situação. - A situação está muito tensa e quanto mais o tempo passa, ela mais tensa fica, porque até agora não se chegou a um acordo entre a posição da diretoria da Funai e a dos índios - disse, por telefone. Segundo Oliveira, a situação entre índios e Funai "chegou ao extremo porque ao longo dos anos faltou transparência para discutir o acordo com os índios", disse, referindo-se ao acordo feito em junho de 2007 quando a Funai concordou em nomear um índio para dirigir a Administração Executiva de Bauru. Depois de tentar falar com superiores em Brasília, Arnor disse esperar uma resposta. - Enquanto eles não respondem e não iniciam as negociações, a gente procura não pensar em medo e tenta dominar a situação da melhor maneira possível, mas o problema é que recebemos todos os tipos de ameaças. Não quero pensar que posso morrer - diz.
|