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Angélica Paulo, JB Online RIO - Considerado um dos grandes nomes da música brasileira, o cantor e compositor pernambucano Lenine vive um dos mais bem-sucedidos momentos de seus mais de 20 anos de carreira. A turnê do CD e DVD "Acústico MTV – Lenine”, que terminou no último sábado, no palco da Fundição Progresso, teve diversas faixas tocadas em rádios de todo o Brasil. Altamente rotulado pela imprensa como um artista plural, antenado, inteligente, entre outros, o músico prefere se autodefinir simplesmente como contemporâneo. - Sou uma pessoa que utiliza tudo aquilo que observa e transformo em música. É a minha maneira de mostrar para as pessoas como eu enxergo o que acontece nos dias de hoje. E essa contemporaneidade se traduz na opinião do cantor sobre a disponibilização da música na internet, através de downloads, que muitos artistas e críticos vêem como o fim do formato do CD. - Acho que é uma tendência natural. Acompanhei a transposição do vinil para o CD, do CD para o DVD. Acho que essa nova tecnologia vai servir para que o cantor possa negociar seu próprio trabalho com mais liberdade. É a evolução das coisas – afirmou, momentos antes da passagem de som para a última apresentação da turnê do “Acústico”.  Foto: Angélica Paulo
O fim do projeto, que começou em 2006, é motivo de uma certa tristeza. Afinal, foram quase dois anos rodando pelo Brasil e pelo mundo em uma experiência nova para o cantor e os músicos que o acompanham, Jr. Tolstoi (craviola de 6 e de 12, violão de nylon com caneta, violão híbrido blend e voz), Guila (baixolão, baixo acústico, semi-acústico e voz) e Pantico Rocha (bateria e voz), que já o acompanha há anos. - Esse projeto me permitiu trabalhar com metais pela primeira vez e foi uma experiência muito enriquecedora, tanto para mim quanto para a banda. Lenine reconhece que, apesar do trabalho autoral, seu trabalho é fruto de parcerias. Com mais de 20 anos de carreira, o responsável por sucessos como “Paciência” e “Hoje eu quero sair só”, entre outras, afirma que a convivência com a banda só faz agregar boas coisas ao trabalho. Segundo ele, são os amigos que percebem o que ele faz. - Foram meus amigos que, ouvindo meu trabalho, perceberam o meu jeito de tocar guitarra, por exemplo. Acho muito importante essa participação. A longevidade da carreira trouxe maturidade. Desde que lançou “Baque Solto”, seu primeiro trabalho, ainda no início dos anos 80, o cantor deixou de querer ser apenas “a voz de uma geração” e investiu mais no seu lado compositor. Mas foram precisos cerca de dez anos até que viesse “Olho de Peixe”, parceria com o músico Marcos Suzano. A partir daí, o “Leão do Norte” começou a cravar seu nome como um dos artistas que mais influenciariam a MPB. O rótulo de contemporâneo pode ser percebido pela mistura de ritmos e influências em seu trabalho. Depois de “Olho de Peixe”, em 1993, foram mais cinco CDs que traziam sempre uma sonoridade diferente do anterior. À MPB, Lenine incorporou elementos do pop, do rock, do eletrônico e do regional, sempre flertando com o que havia de mais novo. Com o fim do “Acústico”, o cantor já se prepara para um novo trabalho. Acabou de finalizar o que ele mesmo chama de “fase uterina” da preparação do novo CD. Sobre a sonoridade desta nova empreitada, Lenine fala pouco. - Um disco só está terminado quando acaba a fase de mixagem. Ainda não sei que direção esse novo trabalho terá, mas estou muito feliz com ele – afirmou. Sucesso no Brasil e no exterior (a atual turnê já passou por países como Portugal, Suíça, Itália, Rússia e França) Lenine afirma que o fato de conhecer outras culturas permite que tenha uma visão mais ampla do que acontece no Brasil. E refuta a idéia de que não existe renovação no cenário da música nacional. - Acho que vivemos um grande momento MPB. E que a renovação se dá de forma setorizada. Não existe mais um predomínio do eixo Rio-São Paulo. Novos talentos despontam do Norte, do Nordeste e até mesmo do Sul. Isso nunca aconteceu antes.
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