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Jaime Gonçalves Filho, JB Online RIO - Caro fã de música, prepare o bolso. A julgar pela estréia de Obra em Progresso, show em que Caetano Veloso pretende apresentar a construção do próximo álbum, as quartas-feiras de maio e junho devem ser concorridas. Apesar de abrir os trabalhos com um Vivo Rio longe da lotação máxima, o compositor baiano apresentou um mix redondo de novas canções + sucessos + pérolas esquecidas. 
Os convidados da estréia foram Jorge Mautner e Nelson Jacobina, além dos percussionistas baianos Eduardo Josino e Josino Eduardo, que já haviam tocado no disco ao vivo Prenda Minha. Com Mautner, Caetano cantou Eu não peço desculpas, que ambos gravaram no álbum homônimo, e uma versão envenada de Vampiro, já gravada em Cinema transcedental. Em aproximadamente duas horas de espetáculo, Caetano pôs no mesmo balaio canções do álbum Cê, sucessos como Cajuína, Como 2 e 2, e os experimentos para um futuro disco, como a canção que fala sobre a base militar americana instalada na baía de Guantánamo, em Cuba. Tudo redondo, sem cansar o público que pareceu ter saído surpreendido com o que assistiu. - As novas canções são potentes, achei o show muito bom. Soube que vou participar como convidado pelos jornais, ainda não combinei nada com o Caetano, nem que músicas vou tocar - disse o compositor Arnaldo Brandão, ex-Hanói Hanói. O destaque da noite foi a interpretação de uma canção de 1977, Três travestis que remeteu, propositalmente, ao caso envolvendo o jogador Ronaldo, a quem Caetano saiu em defesa. - Como este show é semanal, acho que ele tem, também, um aspecto jornalístico de falar sobre assuntos da semana - analisou Caetano, ressaltando que a intimidade do jogador não dizia respeito a ninguém, além dele próprio e das pessoas de seu convívio. - Ronaldo não tem que pedir desculpa, não tem que pedir perdão. Qual é o problema? A vida é bonita e complexa. O que eu tirei das palavras de Ronaldo foi: 'Eu não quis pagar o dinheiro que elas pediram'. E eu achei muito bom. - concluiu o compositor. 
Em outro trecho do show, Caetano comentou a decisão da Justiça de processar aos autores da música Um tapinha não dói, na última semana. O cantor lembrou que já havia sido vaiado ao cantar a música e, ironicamente, ofereceu um samba de Noel Rosa aos autores do processo. - Espero que eles não decidam processar o Noel - disse, antes de cantar, sob aplausos, O maior castigo, que traz os versos O maior castigo que eu te dou / É não te bater / Pois sei que gostas de apanhar. Obra em progresso é, em sua base, uma espécie de making of de canções casado a uma atualização sonora das atualidades. Uma garantia de boas músicas, divertimento e notícias populares em um só programa. Vale conferir.
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