Para jornal inglês, Brasil é um gigante que acorda

Cecília Abreu, JB Online

RIO - O jornal britânico The Guardian destacou ao longo de uma página inteira a atual situação do Brasil. Um correspondente londrino afirmou que o país não é mais considerado só como o ”país do futuro”, mas como o “gigante adormecido da América do Sul” que finalmente acorda.

Segundo a reportagem, muitos políticos e empresários brasileiros já têm a certeza de que o Brasil já pode ter destaque no cenário internacional, tendo em vista os bons resultados obtidos no panorama econômico nacional, tanto interna quanto externamente.

O repórter Tom Philips destaca que a região dedicada à soja em Mato Grosso tornou-se o carro-chefe da caminhada do Brasil em direção ao reconhecimento mundial, em grande parte devido ao “boom” mundial das commodities.

Entre os possíveis motivos para que o Brasil, conhecido há tanto tempo como o “país do futuro” tivesse demorado tanto a se transformar em uma potência econômica, Phillips aponta a série histórica de crises econômicas e políticas, além dos anos de ditadura militar.

Boas mudanças

O momento atual é de reviravolta no cenário econômico. – Com a maior alta dos últimos anos em relação ao dólar, o real estabilizado, inflação controlada, milhões de brasileiros já começam a formar uma nova classe média – afirma Phillips. E, confirmando suas observações, destaca que a agência Standard & Poor's melhorou a classificação geral do Brasil para grau de investimento.

Outro ponto apontado na matéria é o aumento das exportações brasileiras, diversificadas "de laranjas e minério de ferro a biocombustíveis. Tais resultados vêm criando um novo e seleto grupo de milionários do Brasil, que cresceu de 130 mil em 2006 para 190 mil em 2007, mostrando uma das mais rápidas taxas de crescimento do mundo, segundo dados de estudo do Boston Consulting Group.

A reportagem do jornal britânico ainda faz referência às descobertas recentes de grandes reservas de petróleo pela Petrobras, que chegaram a apelidar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "xeique Lula" e permitem visualizar o Brasil como uma nova potência petrolífera mundial em futuro não muito distante.

Finalmente, Phillips destaca posição de analistas que consideram que, se houver queda nos preços dos commodities o ritmo de crescimento do Brasil pode não se sustentar nos padrões atuais. Outros ainda põem em dúvida as condições de infra-estrutura e educação existentes quanto à capacidade de manter a boa situação econômica do país.

De fato, a economista da FGV, também citada na matéria, ressalta que os dados atuais não são sinônimos de garantia do crescimento econômico. - O Brasil ainda tem problemas estruturais sérios. Existem algumas armadilhas perigosas que comprometem este crescimento: educação, ter uma mão-de-obra qualificada, saúde – destacou a economista.

[ 14:57 ]   10/05/2008