Setor de papel capta três vezes mais CO2
SÃO PAULO, 8 de maio de 2008 - Diferentemente das empresas de aço e ferro gusa que figuram em primeiro lugar no inventário emitido pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) ao emitir 54,1% de CO2 ao planeta - o que equivale a 6,36 milhões de toneladas no ano - as indústrias do setor de papel e celulose captam três vezes mais dióxido de carbono (CO2), do que emitem, pelo menos é o que afirma a presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Elizabeth de Carvalhais.

Hoje, não somente no Brasil como no mundo inteiro, muito se fala sobre esse gás, que apesar de não ser considerado poluente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), contribui com o efeito estufa e, conseqüentemente, com o aquecimento global.

No último mês, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), que é ligada à Secretaria do Meio Ambiente do Governo do Estado de São Paulo, divulgou um inventário sobre as emissões de CO2, no qual foram analisadas e classificadas as 100 maiores indústrias emissoras desse gás.

No documento, o setor de papel e celulose possui 3,2% de participação na emissão. De acordo com dados fornecidos pela Bracelpa, porém auditados e inventariados por outras instituições, o Estado de São Paulo tem na área de celulose e papel estimativamente 400 mil hectares de floresta. No meio ambiente são emitidos 2,290 milhões de toneladas de gases, incluindo o CO2. Mas o que não foi abordado é que cada hectare, ´seqüestra´ 18 toneladas de carbono, o equivalente a 7,2 milhões de toneladas de carbono retiradas do meio ambiente.

"Isso mostra que nós seqüestramos três vezes mais carbono do que emitimos em gases nocivos a atmosfera, o que por coincidência, é uma relação muito próxima da nacional, porque esses dados são do Estado de São Paulo. Temos segurança de que o setor está na linha correta, ao fazer pesados investimentos para incrementar os efeitos positivos florestal, que é o seqüestro de carbono, uma importantíssima contribuição ambiental", ressaltou Elizabeth.

É o que faz a Suzano Papel e Celulose, que produz um inventário sobre o assunto desde 2003. De acordo com o gerente de relações institucionais, Luiz Cornacchioni, ´a empresa emite por ano cerca de 320 mil toneladas de carbono, porém absorve 1 milhão de toneladas´. Isso ocorre porque as fábricas produzem o CO2 e as florestas de eucalipto mantidas pela Suzano absorvem os gases percussores do efeito estufa.

O gerente ressaltou ainda que, com o inventário, é possível analisar o excedente de crédito, além disso, é possível analisar a performance da companhia em relação à emissão.

(Déborah Costa - InvestNews)

[ 12:35 ]   08/05/2008