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Chico Siqueira, JB Online ARAÇATUBA - A Polícia Civil de Pedranópolis, cidade do interior de São Paulo, prendeu em flagrante o agricultor Ary Hernandez Castijo, 50 anos, que teria mantido sua companheira, Maria Aparecida Rosa, 36 anos, em cárcere privado por 18 anos. O casal, que tem dois filhos, morava em um sítio a 1 km da cidade de 1,5 mil habitantes. Segundo a delegada de Pedranópolis, Maristela Lima Dias, Castijo ameaçava sua companheira com armas de fogo para impedir que deixasse a propriedade e a colocava para trabalhar em serviços pesados da roça. Por isso, foi acusado de reduzir a companheira a condições análogas à escravidão e de ameaçá-la com armas de fogo. Com Castilho, a polícia aprendeu dois revólveres e uma espingarda, que seriam usadas por ela para ameaçar a companheira. "Maria Aparecida contou que ele ameaçava matá-la caso pensasse em fugir do sítio. Ela também disse que ele a obrigava a fazer serviços pesados, como ordenhar vacas e capinar, e que era vigiada e ameaçada com armas de fogo", contou a delegada. A polícia chegou a Castijo depois que familiares denunciaram as condições de vida de Maria Aparecida. A mãe da vítima, Adelaide de Oliveira Lima, disse que decidiu denunciar a situação depois de receber um telefonema anônimo informando que Castijo pretendia matar sua filha. "Tomei coragem e depois de tanto tempo decidi denunciar ele à polícia", contou Adelaide. Ela disse que desde que a filha saiu de casa, com 18 anos, nunca mais conversou com ela. "Ele impedia que nossa família tivesse acesso a ela. A gente ia até o sítio e ele nos ameaçava. Nunca denunciei nada porque achava que ela concordava com aquilo", contou Adelaide, que na delegacia, durante o flagrante, abraçou pela primeira as netas, de 16 e 4 anos, filhas de Maria Aparecida. Em depoimento à polícia, Maria Aparecida contou que não podia sair do sítio nem para ir à igreja. As únicas saídas permitidas eram para fazer compras ao supermercado, a cada um ou dois meses. Mesmo assim, ela ia acompanhada do marido, que a proibiria de falar com conhecidos e a olhar para os lados. As saídas eram as poucas oportunidades que Adelaide conseguia ver a filha, mas mesmo assim, ela seria impedida de conversar com ela por Castijo. A neta de 16 anos, Adelaide também só poderia ver de longe, quando Castijo a levava para a escola. Nem mesmo conhecidos, segundo a delegada, Maria Aparecida podia receber no sítio. "Eles eram logo despachados pelo acusado", disse. A vítima e a filha adolescente devem passar por acompanhamento psicológico conforme pedido feito pela delegada à Justiça. "Elas estão mesmo num estado de dar dó, parece que nunca sorriram na vida", contou a delegada. Segundo ela, a adolescente também confirmou a versão apresentada pela mãe. A mãe e as filhas foram levadas para casa de parentes numa cidade próxima para evitar assédio da imprensa e curiosos. Outro lado Em depoimento no flagrante, Castijo negou todas acusações, mas admitiu ser dono das armas. O advogado Fernando Mateus Poli, que o defende, disse que vai entrar com pedido de liberdade provisória, mas se negou a comentar o assunto porque corre em segredo de Justiça por se tratar de um crime envolvendo a família.
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