Professor da UFBA renuncia após declarações sobre QI dos baianos

Portal Terra

SALVADOR - O coordenador do curso de graduação da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Antonio Natalino Manta Dantas, renunciou ao cargo após suas polêmicas declarações relativas a avaliação do curso no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). O professor, em entrevista na semana passada, atribuiu o conceito 2 obtido pelo curso de medicina da instituição no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) ao baixo QI dos baianos.

Em nota, Dantas afirma não ser racista e não ter "restrições à inteligência da comunidade baiana ou qualquer outra, até mesmo por razões científicas". O professor destaca ainda que suas declarações foram distorcidas pela imprensa, que teria insistido para que o médico explicasse os motivos pelos quais o curso da UFBA tenha tirado nota 2 na avaliação do MEC. - Jamais tive a intenção de apontar o sistema de cotas, tampouco a implantação intempestiva da transformação curricular, como causa direta do resultado. Num universo de possibilidades, não posicionei certezas - diz o texto.

Dantas complementa dizendo que suas declarações a respeito do berimbau são fruto de sua ignorância em relação ao instrumento. Ele acrescenta que as explicações dadas por músicos especializados após suas declarações o fizeram conhecer melhor o instrumento. O professor ainda destaca que o resultado do Enade reflete administrações anteriores à sua, que assumiu o cargo há apenas um ano. Ao final do texto, o professor pede desculpa e afirma não ter tido a "intenção de ofender ninguém".

A nota com o pedido de renúncia de Dantas foi encaminhada ao diretor da Faculdade de Medicina, José Tavares Neto, durante o fim de semana. Tavares Neto convocou uma assembléia geral da faculdade, na qual estudantes, professores e funcionários devem discutir a questão e a avaliação do MEC.

As medidas administrativas a serem adotadas contra o professor devem ser definidas amanhã, em reunião da Congregação da Faculdade de Medicina. Em nota, o Diretório Acadêmico da Faculdade de Medicina informou que a nota 2 foi resultado de um boicote dos alunos ao sistema de avaliação instituído pelo MEC.

O Ministério Público Federal solicitou que a universidade informe as medidas administrativas a serem adotadas contra o professor. O procurador da República, Vladimir Aras, também solicitou que Dantas apresente sua versão da entrevista. O professor pode ser enquadrado na lei 7.716, de 1989, que trata dos crimes de racismo.

[ 12:43 ]   05/05/2008