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Agência JB NOVA YORK (EUA) - A corrida pela decodificação do genoma humano pode não estar inteiramente encerrada: o perdedor desenvolveu uma nova abordagem que talvez permita que ele triunfe no final. Em 2003, um consórcio de centros acadêmicos, financiado pelo governo norte-americano, anunciou que havia completado o mapeamento do genoma humano, derrotando o desafio muito sério apresentado pelo biólogo J. Craig Venter. O genoma do consórcio compreendia pouco mais da metade do ADN contido em uma célula normal, e o ADN usado no projeto vinha de um grupo de pessoas com antecedentes raciais e étnicos diferenciados. Mas Venter, apesar de derrotado naquela etapa da corrida, pode ficar com a palavra final. Em estudo publicado na terça-feira, sua equipe de pesquisa anuncia que decodificou uma nova versão do genoma humano, a qual na opinião de alguns especialistas talvez seja muito melhor do que a desenvolvida pelo consórcio. Conhecido como genoma pleno, ou genoma diplóide 5, ele consiste de ADN de ambos os conjuntos de cromossomos, um de cada pai, e representa o genoma normal contido em quase todas as células do corpo. E o genoma que a equipe decodificou pertence a apenas uma pessoa: Venter. O novo genoma, reporta a equipe de Venter, deixa claro que a variação em programação genética que cada indivíduo porta é bastante superior à esperada. Em pelo menos 44% dos genes de Venter, as cópias herdadas de sua mãe diferem das herdadas de seu pai, de acordo com análise publicada na edição da PLoS Biology lançada na terça-feira. Huntington Willard, geneticista da Universidade Duke que teve acesso inicial à seqüência do genoma de Venter, disse que a qualidade do novo genoma era "excepcionalmente elevada", e que "até que o próximo genoma surja, este representa o padrão de referência". Willard afirmou que o genoma de Venter era "imensamente melhor" do que o seqüenciado pelo consórcio, ao menos para seus interesses pessoais de pesquisa. - Não quero alimentar controvérsias, mas gosto muito desse trabalho, é um genoma realmente bom - disse Edward Rubin, especialista em genoma no Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, do governo norte-americano. A corrida entre Venter e o consórcio começou em 1998, quando ele identificou uma maneira mais rápida de decodificar o genoma humano. Ele tentou chegar primeiro que os seus rivais acadêmicos a essa rica presa científica por meio de uma companhia chamada Celera, que ele co-fundou para estudar o genoma. Em junho de 2000, os campos rivais estavam travando uma disputa ferrenha e trabalhavam na preparação de seqüência provisória do genoma. Mas em janeiro de 2002, Venter foi demitido de seu posto como presidente da Celera. O consórcio continuou com seu trabalho e conquistou a vitória na corrida, ao anunciar a conclusão de seu genoma um ano mais tarde. No entanto, o genoma do consórcio, embora imensamente útil para os biólogos, apresentava imensas lacunas, e só podia ser considerado completo no sentido de que representava o melhor que se podia fazer com a tecnologia existente. Venter passou os últimos cinco anos, e investiu mais US$ 10 milhões do dinheiro de sua instituição, trabalhando para melhorar o genoma provisório seqüenciado pela Celera. O genoma se baseava quase inteiramente em seu ADN, então, e a nova versão diplóide o tem como base integralmente. Os críticos do biólogo podem acusá-lo de egocentrismo considerável, mas ao analisar seu genoma pessoal ele contornou os problemas de privacidade e de licenciamento que poderiam ter surgido com o uso de ADN de terceiros, quando ele divulgasse a seqüência completa publicamente, como está fazendo agora. Como James Watson, o co-descobridor do ADN, cujo genoma está sendo decodificado, Venter acredita fortemente na divulgação pública de seqüências individuais de ADN, a fim de promover o avanço do conhecimento e acelerar a chegada da era da medicina genômica personalizada. Se outros especialistas consideram que o genoma de Venter é o melhor dos dois, será que se poderia dizer ele terminou por vencer a corrida, afinal? - Há essa longa história da vaidade de Craig, que é irritante para boa parte da comunidade científica", disse Rubin, se recusando a responder diretamente à pergunta. Diante da mesma questão, Venter respondeu que "não estou certo de que caiba a mim fazer essa afirmação, mas a corrida não acabou. Informarei a vocês quando tivermos parado". James Shreeve, autor de The Genome War, que descreve a corrida do genoma no começo da década, disse que "acho que ele já acredita que é o verdadeiro vencedor da corrida, pelo que realizou na Celera". O escritor acrescentou que o consórcio também se considera vencedor. Ainda que agora existam novas tecnologias que permitem decodificar o ADN de forma muito mais barata, o genoma seqüenciado por Venter pode representar uma baliza de comparação muito elevada, por um longo período. O genoma foi decodificado com um método antigo, conhecido como seqüenciamento Sanger, que é mais caro mas analisa porções do ADN de até 800 unidades de extensão. As tecnologias mais novas e baratas que entraram em uso recentemente analisam porções de ADN com apenas cerca de 200 unidades de extensão, e montar essas porções menores em forma de genoma completo é muito mais difícil. O genoma de Watson está sendo decodificado com uma máquina de nova geração desenvolvida pela 454 Life Sciences. Mas os pesquisadores da empresa estão colocando as peças na ordem correta equiparando-as à seqüência de genoma do consórcio, e não procedendo a uma montagem independente. Por isso, o genoma de Venter pode ser o padrão ouro por muitos anos, especialmente caso ele continue a desenvolvê-lo. Com informações do The New York Times
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