Sindicato de SP dos delegados quer oxigenar a polícia

Portal Terra

SÃO PAULO - Os delegados de polícia do Estado de São Paulo começaram nesta quinta-feira, às 8h, uma paralisação de 48 horas. De acordo com o presidente do sindicato da categoria, José Martins Leal, eles querem o atendimento das reivindicações discutidas com o governo. Dentre elas, a incorporação de todas as gratificações à aposentadoria para "oxigenar a polícia".

Segundo o sindicato, como a gratificação de atividade policial (GAP), o adicional de local de exercício (ALE) e o adicional operacional de localidade (AOL) deixam de ser pagos quando o profissional se aposenta, ele prefere continuar na ativa até os 69 anos, um ano antes da aposentadoria compulsória (limite de idade) aos 70 anos - onde a perda salarial seria ainda maior. Atualmente, apenas o pagamento da insalubridade se incorpora à aposentadoria dos delegados.

- Quando se aposenta, o delegado perde 1/3 do salário. Então ele prorroga essa perda - afirmou Leal.

De acordo com o sindicato, seguidamente abre concurso para delegado do Estado de São Paulo, porém isso não supre as lacunas. Segundo Leal, há uma carência de cerca de 200 delegados no Estado. No último concurso, dos 220 aprovados, dez já teriam deixado a academia porque passaram em concursos que pagam salários maiores.

- Esse êxodo também acontece com delegados que têm dez anos de carreira. Esse êxodo é histórico. Nunca tinha sido registrado números tão altos como agora - disse Leal.

De acordo com informações do sindicato, o salário inicial de um delegado em São Paulo é de R$ 3.507 (salário mais gratificações). Com a proposta do governo, esse valor seria superior a R$ 4.250. Entretanto, não incorpora as gratificações requeridas pela categoria na aposentadoria. Os delegados querem ainda a reposição das perdas salariais dos últimos cinco anos.

Os delegados defendem também que a categoria seja inserida na carreira jurídica, que eles consigam se aposentar com 30 anos de serviço, sem exigência de idade, e pedem a reestruturação das carreiras policiais.

Na quinta e sexta-feira, segundo o sindicato, os delegados trabalharão apenas em ocorrências de emergência, como homicídios, roubos ou seqüestros.

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo ainda não se pronunciou.

Câmara

A Câmara dos deputados instala nesta quinta-feira a comissão especial que vai analisar a Proposta de Emenda à Constituição 549/06, do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). A proposta determina que o salário inicial de delegado de polícia não será inferior ao limite fixado para o integrante do Ministério Público com atribuição de participar das diligências na fase de investigação criminal.

[ 11:58 ]   16/08/2007