Renata Machado, Agência JB RIO - Com o dia muito frio, os termômetros batendo na casa dos 15 graus e sob uma chuva fina, as oito meninas do nado sincronizado do Brasil apresentaram um Rio que em nada lembrava a cidade cinzenta da manhã de ontem. A exibição "Um dia no Rio", que formou imagens consagradas como o sol, o calçadão de Copacabana, os Arcos da Lapa, a torcida no Maracanã, o surfe e o Cristo Redentor, deu à seleção a medalha de bronze da competição por equipes no Pan. O ouro foi para os Estados Unidos e a prata, para o Canadá. Mais uma vez, a coreografia das brasileiras empolgou a torcida, que mesmo bastante agasalhada e debaixo de chuva encheu boa parte das arquibancadas. O mix de músicas da exibição, com trechos de Samba do Avião, Assanhado, Cidade Maravilhosa e País Tropical, também contribuiu para animar o público. – Fiquei muito feliz de realizar a apresentação para uma arquibancada tão cheia – surpreendeu-se Lara Teixeira. – Apesar desse tempo frio e chuvoso, a torcida compareceu e vibrou junto com a gente. Foi maravilhoso ouvir os gritos do público, cantando e nos apoiando. Com a medalha de bronze pelo segundo Pan consecutivo, o Brasil se firmou como terceira força do continente, deixando o México amargar mais uma vez na quarta colocação. Agora, o objetivo da seleção é se aproximar das duas potências mais fortes das Américas na modalidade. As notas de ontem evidenciaram que o país ainda está longe de EUA e Canadá. As americanas somaram 95,667 pontos e as canadenses, 95,251. A pontuação das brasileiras chegou a 90,750. – No próximo Pan já podemos sonhar com a medalha de prata. Ela agora é bem possível, porque subimos um patamar – avaliou a atleta Nayara Figueira. Apesar de o nível das exibições nacionais terem aumentado, as brasileiras podem não conseguir a classificação para a Olimpíada de Pequim-2008. O Pan deu vaga apenas para a equipe campeã. O Brasil agora terá de lutar com seleções do mundo todo por uma das três vagas restantes no Pré-Olímpico, em março. Os campeões dos outros quatro continentes também já garantiram vaga. – Não concordo com este critério. Países bem mais fracos tecnicamente, como Egito e Austrália, entram nesta vaga dos continentes e tiram a nossa chance – disse Branca Feres. A situação para as brasileiras fica difícil porque equipes de alto nível, como Espanha, Canadá e Japão, também estarão na briga pelas três vagas. Além das adversárias, as gêmeas Branca e Beatriz Feres estão preocupadas com o futuro da seleção e fizeram um apelo por patrocínio. – Eu peço encarecidamente para as empresas nos ajudarem, se não essa equipe pode se desfazer antes de lutar pela vaga olímpica. O dinheiro que essas meninas ganham não dá para se manter – alertou Branca.
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