Venezuela cresce mas enfrenta risco inflacionário, diz relatório

Agência EFE

VENEZUELA - A economia venezuelana, durante o mandato de Hugo Chávez, registra um crescimento saudável, mas enfrenta o desafio da inflação e precisa realinhar a sua política monetária, segundo uma análise divulgada na última quarta-feira.

O Centro de Pesquisa Econômica e de Política (CEPR) elaborou o relatório de 23 páginas nos últimos nove meses, com base em estatísticas oficiais. O texto oferece um panorama da economia venezuelana desde que Chávez foi eleito presidente, em 1998.

- Não há um fim óbvio para a expansão econômica atual da Venezuela - disse no comunicado que acompanha o relatório Mark Weisbrot, co-diretor do CEPR e autor principal do estudo.

A análise, divulgada no site do instituto (www.cepr.net), aponta que a economia venezuelana foi sacudida pela instabilidade política nos primeiros quatro anos de Chávez. Mas, nos últimos quatro, tem registrado um crescimento rápido e sustentado.

Dan Beeton, porta-voz do CEPR, disse à agência Efe que o relatório não tem motivações políticas, e foi divulgado "após nove meses de pesquisas".

- As conquistas na redução da pobreza, no emprego, na educação e na assistência médica dos últimos anos provavelmente continuarão junto com o crescimento econômico - prevê o relatório.

No entanto, os autores acrescentam que a redução da inflação, assim como o "realinhamento" da política monetária são os desafios mais importantes da economia venezuelana a médio prazo.

Eles enfatizam que para manter a trajetória atual a diversificação da economia é o principal desafio a longo prazo.

Segundo o CEPR, o aumento nos preços de petróleo e as políticas monetária e fiscal do Governo de Chávez têm contribuído para o crescimento econômico na Venezuela. O órgão explica como a economia superou a instabilidade política, resolvida no primeiro trimestre de 2003.

O estudo do CEPR diz que a redução da relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto, o superávit na conta corrente (8% do PIB), e a acumulação de reservas permitiriam ao Governo enfrentar uma queda nos preços do petróleo.

Assim, o Caracas conta com suficiente "flexibilidade" para responder às pressões inflacionárias e ao desequilíbrio nas taxas de câmbio.

A moeda venezuelana está "substancialmente supervalorizada", mas o Governo se mostra reticente a uma desvalorização. A medida aumentaria a inflação, hoje em 19,4%, observa o relatório. Os autores não prevêem uma desvalorização da moeda no futuro próximo, como aconteceu na década de 1990 na Argentina e no Brasil.

A inflação atual na Venezuela, comparada com os 36% de 1998 e 100% de 1996, é um desafio importante. Mas, num país em vias de desenvolvimento, o problema "não se compara com o mesmo fenômeno se acontecesse nos Estados Unidos ou na Europa", ressalta a análise.

O relatório lembra que a economia venezuelana atravessou uma severa recessão depois das greves no setor petroleiro entre dezembro de 2002 e fevereiro de 2003. No pior momento, "a Venezuela perdeu 24% de seu PIB".

Mas, desde o segundo trimestre de 2003, a estabilidade política tem levado a uma expansão econômica, com um crescimento de 76% do PIB desde então.

Entre 1998 e 2006, a despesa social per capita aumentou 170%, sem incluir o investimento social da estatal PDVSA, que foi de 7,3% do PIB em 2006, diz o relatório.

A receita do Governo aumentou de 17,4% do PIB para 30% durante o período analisado, atingindo o equilíbrio fiscal em 2006.

A divulgação do relatório coincidiu com o anúncio do Banco Central da Venezuela (BCV) de que acentuará a política antiinflacionária durante o segundo semestre.

[ 01:41 ]   26/07/2007