Frederico Zartore, Agência JB RIO - A canoagem brasileira tem a oportunidade de realizar um feito inédito na história dos Jogos Pan-Americanos nesta edição carioca. Desde que a modalidade foi inserida no evento, em 1967, na cidade de Winnipeg, no Canadá, a categoria canoa do Brasil não conseguiu emplacar nenhuma medalha. Para quebrar este jejum, a equipe brasileira deposita as esperanças no sergipano Nivalter Santos, 19, que em menos dois anos praticando o esporte conseguiu a melhor colocação na história da canoagem brasileira em campeonatos mundiais, na copa do mundo da Hungria. - Conseguimos ganhar a final B e ficamos em 10° lugar no C2 200 m. Foi maravilhoso ver, lá na Hungria, as bandeiras brasileiras agitadas na arquibancada – lembra o canoísta, que em apenas seis meses praticando o esporte, conquistou seu primeiro título brasileiro. Nivalter iniciou sua carreira aos 17 anos através do projeto social “Navega São Paulo”, que utiliza os esportes náuticos do remo, vela e canoagem como ferramenta de inclusão social para jovens estudantes da rede pública de ensino. As dificuldades financeiras quase fizeram com que o atleta abandonasse o esporte, mesmo após sagrar-se campeão brasileiro. Mas um título inesperado no sul-americano realizado na cidade de Paipa, na Colômbia, em 2005, mudou o rumo da história. - Foi um título especial porque naquela época havia um atleta chileno que ninguém conseguia vencer. Fizemos um duelo emocionante e acabei vencendo no “sprint” final – conta o atleta, que no ano seguinte conquistou mais uma medalha de ouro no sul-americano da Argentina. Nivalter conta que já está no clima do Pan desde março, quando a delegação chegou ao Rio para dar início à preparação para os Jogos. O canoísta diz estar familiarizado com a Lagoa Rodrigo de Freitas, mas revela que o frio na barriga sempre existe. Consciente da pouca idade e do imenso caminho que precisa trilhar para alcançar o sucesso, 'Cabelo' - apelido dado pelos companheiros de equipe -, acredita ter amadurecido bastante com suas participações em diversos torneios internacionais e diz que está preparado para competir no Pan. - Estou tranqüilo. Fizemos uma excelente preparação aqui no Rio e acredito em medalha sim. O mais importante é estar focado. A concentração é a principal arma para conseguir um bom desempenho nas provas – explica Nivalter, que em uma de suas viagens pelo mundo ficou surpreso ao ver que as atletas iranianas competiam com o corpo todo coberto, dos pés à cabeça. A credibilidade que o jovem atleta passa não está apenas nos resultados. Conhecedor de seus adversários ele sabe que precisa estar atento às remadas do mexicano José Cristóbal Quirino, atual campeão mundial na canoa individual, a quem atribui o título de favorito ao ouro. Nivalter sabe da oportunidade que tem de se tornar referência na canoagem do país. Mesmo sabendo o alto nível que a competição vai exigir, o atleta se atém às possibilidades criadas com treinamentos diários, mas se permite sonhar de vez em quando. - Faço o meu trabalho com dedicação, estou sempre me empenhando para me superar, então vale sonhar e acreditar nesse sonho – diz o atleta, que fez elogios à torcida brasileira. - Quando faltam 200 m para completar a prova e a torcida começa a gritar, eu me renovo. Ganho mais força. Eles fazem toda a diferença – completa.
|