Frederico Zartore, Agência JB RIO - A equipe brasileira de boxe dos Jogos Pan-Americanos do Rio avançou, neste domingo, à fase semifinal nas categorias galo, leve e meio-pesado e garantiu com antecedência três medalhas de bronze na competição - no boxe, os dois atletas que vão à semifinal ganham medalha. Em um dia conturbado devido à deserção de dois pugilistas cubanos, que acabaram sendo derrotados por W.O. por não aparecerem para a cerimônia de pesagem, surge a esperança brasileira de quebrar um jejum de 44 anos sem conquistar uma medalha em Jogos Pan-Americanos. Guilhermo Rigondeaux, bicampeão olímpico e mundial, e Erislandy Lara, campeão mundial, facilitaram o caminho para que James Dean Pereira e Pedro Lima, respectivamente, cheguem à final da competição. Com a desclassificação dos cubanos, os brasileiros enfrentarão Carlos Cuadras, do México e Ricardo Smith da Jamaica. No peso leve, Everton Lopes precisa vencer o porto-riquenho Jose Gonzalez, para continuar o sonho dourado. - Não existe luta fácil. Se pegar aqui, olha (aponta o queixo), não tem jeito – diz o meio-médio Pedro Lima. – O que tem que ter, é um bom preparo para encarar qualquer adversário – responde o pugilista, quando indagado sobre o jamaicano ser, ou não, um adversário mais fácil de enfrentar. Com três chances de chegar à final até aqui, e conquistar a mais cobiçada das medalhas, o boxe brasileiro pode voltar a ser o esporte que brilhou nas décadas de 50 e 60 no evento continental. Na Cidade do México, em 1955, foi realizada a segunda edição do evento, onde o Brasil obteve seu pior desempenho na história dos Jogos, ficando na sétima colocação com apenas 17 medalhas, sendo duas de ouro. Uma delas foi conquistada pelo meio-pesado, campeão brasileiro e sul-americano, Luis Ignácio, o martelo negro, que caiu no ostracismo, falecendo nas ruas de São Paulo como mendigo. - Foi o boxe que me tirou das ruas. Graças ao esporte eu tenho uma orientação, um caminho que quero seguir. É muito triste saber que um atleta que é referência no esporte brasileiro morreu desta forma – lamenta Pedro Lima, que pretende crescer no boxe para poder ajudar a família em Riachão de Jacuípe, na Bahia. – Busco sempre a superação e procuro perceber meu crescimento para poder estar sempre melhorando – completa. Na edição seguinte, em Chicago (59), os brasileiros Waldo Claudiano, no galo, e Abrão de Souza, no meio-médio, subiram no lugar mais alto do pódio. À época, o boxe foi o esporte com o segundo melhor desempenho nos Jogos, faturando ainda uma medalha de prata e três de bronze. Quatro anos após o Pan de Chicago, seria a vez de São Paulo sediar os Jogos, na primeira vez em que se realizou uma votação para eleger a cidade sede. Na ocasião o Brasil fez sua melhor campanha na história da competição, ficando em segundo lugar no quadro geral de medalhas. O boxe contribuiu com nove medalhas, na sua melhor atuação em Pans, conquistando três de ouro, cinco de prata e uma de bronze. Ainda na mesma época, na década de 60, surgia o maior de todos os pugilistas brasileiros, Éder Jofre, campeão mundial de pesos galo e pena, que em 1983 foi eleito o melhor peso-galo contemporâneo pelo Conselho Mundial de Boxe. Dando a intenção de que quer voltar aos tempos áureos, o boxe brasileiro mostra que veio forte para disputar o Pan do Rio. - A equipe está unida. Os atletas estão dando muito apoio uns aos outros – um dos técnico da equipe, Luiz Carlos Dórea, que elogiou o preparo físico dos pugilistas brasileiros. – Uma característica marcante nesta equipe é a movimentação rápida – completa. Os três semifinalistas voltam ao ringue nesta terça-feira para lutarem por uma vaga na final, que está prevista para começar às 18 horas, no Riocentro, Pavilhão 2. Os ingressos para assistir às lutas custam: R$ 10, setor B e R$ 20 setor A.
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