|
Agência EFE RIO - A Bolívia não vai pagar os US$ 56 milhões que deve à Petrobras pela compra de duas refinarias com dinheiro que pretendia obter vendendo bônus à Venezuela, uma emissão que agora considera desnecessária. O ministro da Fazenda, Luis Arce, disse hoje que seu colega responsável pela pasta de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, lhe disse que conseguirá outros recursos para pagar a Petrobras e que, portanto, não é mais preciso fazer a emissão de bônus por US$ 100 milhões. O esclarecimento foi feito horas após Arce e Villegas se contradizerem, ao comentarem a forma como o Estado boliviano pretende pagar a metade dos US$ 112 milhões que as refinarias compradas da estatal brasileira custaram. Arce antecipou que parte do dinheiro que seria obtido da venda dos bônus à Venezuela se destinaria ao pagamento, enquanto Villegas sustentou que esta versão era equivocada porque o pagamento será realizado com os recursos da venda de derivados de petróleo. Após o esclarecimento, o ministro de Fazenda afirmou que agora "se perde a necessidade, neste momento, de fazer a emissão dos bônus", já que a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) e o Ministério de Hidrocarbonetos têm seus mecanismos de compra, desconhecidos até agora por Arce. Já o ministro Villegas explicou que a engenharia financeira desenhada para concretizar a compra consiste em usar os recursos provenientes da venda de petróleo reconstituído produzido pelas próprias refinarias. Segundo o governo, a venda do petróleo reconstituído e de gasolina produzidos pelas refinarias gerará renda superior a US$ 70 milhões anuais para a YPFB. O governo de Evo Morales assumiu o controle das duas refinarias no dia 26 de junho, duas semanas após pagar a metade dos US$ 112 milhões negociados.
|