Operação na Mesquita Vermelha está perto do fim, diz Exército

Agência EFE

LAHORE - O Exército do Paquistão afirmou nesta quarta-feira que a operação contra a ocupação da Mesquita Vermelha de Islamabad está em sua 'fase final', restando poucos radicais armados após um ataque no qual se calcula que mais de 200 pessoas morreram, entre elas cerca de 130 estudantes.

O porta-voz do Exército, Waheed Arshad, disse hoje que apenas dois ou três militantes armados ainda estão dentro da mesquita, de onde estão sendo retirados os corpos dos mortos na operação, que começou na madrugada de terça-feira.

Arshad acrescentou que por enquanto ainda não pode dar um número definitivo de mortos na operação, mas uma fonte dos serviços de inteligência consultada pela Efe estimou que 125 estudantes de ambos os sexos e 70 fundamentalistas armados morreram na invasão.

O Governo paquistanês disse antes da invasão que os radicais armados mantinham entre 300 e 500 mulheres e crianças estudantes das escolas religiosas do complexo como reféns.

Já o Exército divulgou a morte de 79 militantes e 12 soldados.

Entre os mortos na operação está o líder dos entrincheirados na mesquita, o clérigo Rasheed Ghazi, cujo corpo será levado de helicóptero para sua cidade natal, Dera Ghazi Khan, no centro do país, onde será enterrado.

Os familiares de Ghazi se opõem à transferência do corpo porque afirmam que seu último desejo era ser enterrado em Islamabad, junto a seu pai, mas o Governo descarta esta opção por temer que os extremistas transformem o túmulo em local de culto.

O porta-voz do Exército afirmou que a expulsão dos militantes da mesquita está quase encerrada, após a qual será verificado se não há minas ou outros explosivos no local.

Ele acrescentou que na quinta-feira será permitida a entrada de jornalistas no local, o que a princípio foi anunciado para hoje. Por ordem militar, os repórteres permaneceram afastados do templo e dos hospitais para onde as vítimas foram levadas.

Arshad também assegurou que a situação de segurança no país está sob controle, apesar de ter sido mantido o alerta geral para prevenir eventuais reações violentas aos incidentes em Islamabad.

O ataque pôs fim aos confrontos iniciados há uma semana, quando ocorreram as primeiras mortes em tiroteios entre os fundamentalistas armados e as forças de segurança que cercavam o templo há alguns dias.

O primeiro-ministro paquistanês, Shaukat Aziz, disse na noite de terça-feira que 1.300 estudantes, entre eles mulheres e crianças, deixaram vivos o recinto religioso na última semana, o que demonstra, na sua opinião, que a estratégia do Governo foi um sucesso.

Antes do ataque, o Governo informou que 1.221 estudantes tinham abandonado o complexo religioso.

Aziz insistiu em que todos os esforços possíveis foram feitos para resolver a questão de maneira pacífica, o que foi impossível devido à presença de 'militantes estrangeiros' no complexo religioso.

Apesar de os serviços secretos afirmarem que havia combatentes uzbeques, chechenos e árabes, o porta-voz militar indicou nesta quarta-feira que, "por enquanto, não há informação sobre a presença de nenhum estrangeiro' no local.

O ataque à Mesquita Vermelha foi duramente criticado pela principal aliança da oposição do Paquistão, a islamita Muttahida Majilis-e-Amal, que declarou três dias de luto pelas vítimas.

A aliança também culpou o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, pelo fracasso das negociações.

A Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, um organismo independente, criticou a forma 'incompetente' de realizar a operação, denunciou o uso 'desproporcional e arbitrário' da força e pediu uma investigação do caso.

A entidade lembrou que o radicalismo na Mesquita Vermelha não surgiu de um dia para outro.

- O armazenamento de armas e o treinamento dos estudantes vinham ocorrendo há anos, com a ajuda e conivência das autoridades - denunciou.

A Mesquita Vermelha, uma instituição estatal, foi local de várias atividades radicais nos últimos anos, mas até agora Musharraf tinha evitado enfrentá-las.

[ 11:20 ]   11/07/2007