Agência Brasil RIO - A tocha pan-americana chegou hoje (9) ao estado do Rio de Janeiro: o revezamento começou no Quilombo Campinho da Independência, localizado a 13 quilômetros da cidade de Parati, no sul fluminense. Moradores de comunidades quilombolas de diversos estados assistiram à cerimônia em que a tocha foi acesa. Em seguida, a tocha foi de barco para o centro histórico da cidade, onde centenas de pessoas acompanharam o revezamento. A passagem da tocha pela cidade coincidiu com o lançamento da candidatura de Paraty a Patrimônio Cultural da Humanidade definido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Depois de passar pelas mãos de 17 pessoas, a pira pan-americana de Parati foi acesa no início da tarde. Mas a festa havia começado ontem (8), com apresentações de música e dança na comunidade quilombola, escolhida para a chegada da tocha ao estado, segundo a ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção de Igualdade Racial, para dar visibilidade às ações desenvolvidas nesses locais. "A passagem da tocha serve para que essas comunidades se tornem mais conhecidas, visto que, ao longo da História do Brasil, elas foram esquecidas, não fazendo parte das políticas públicas ou mesmo da história", disse Matilde Ribeiro. Campinho, acrescentou, é um dos 102 quilombos brasileiros com o título de propriedade de terra. O país tem 3.400 comunidades quilombolas reconhecidas. Os moradores contam que, com o fim da escravidão, os fazendeiros da região abandonaram as terras, que foram divididas entre os escravos. O Quilombo de Campinho teria sido fundado por três ex-escravas, das quais descendem os 450 habitantes do local. Valentim Conceição, de 82 anos, foi o primeiro a receber a lanterna com a chama e destacou: "Nossos bisavós nunca sonharam em ter uma alegria como essa. Aquela raiz, que foi raiz da dor, do espancamento, hoje é fruto de alegria". O ministro do Esporte, Orlando Silva, lembrou o esforço que vem sendo feito para garantir a inclusão social dos negros que vivem em comunidades remanescentes de quilombos. "O programa Brasil Quilombola permite direitos, habitação, saúde e educação a comunidades que historicamente tiveram direitos negados", disse. E acrescentou : "Os números mostram que, no Brasil, a pobreza e a falta de direitos tem cor". De Paraty, a tocha pan-americana seguiu para a vizinha Angra dos Reis e passará por outras sete cidades antes de chegar ao município do Rio, na quinta-feira (12). O revezamento da tocha segue os moldes olímpicos e representa a paz e a integração entre os povos.
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